segunda-feira, 15 de junho de 2015

Lanterna de Papel Versão Século XXI - Tecno-Segunda #18


Pássaros e aviões de papel estão prestes a ganhar um amigo novo e chocante: uma bateria de origami. O nome soa como um brinquedo antiestresse para engenheiros mas, muito embora possa aliviar a ansiedade de muita gente, ela é principalmente um jeito barato e fácil de levar energia elétrica a lugares remotos.

A bateria dobrável funciona com uma substância que não falta em lugar nenhum: água suja. Qualquer líquido que contenha bactérias, geralmente água mesmo, contém energia suficiente para alimentá-la. "Água suja tem muita matéria orgânica", disse Seokheun "Sean" Choi da Universidade de Binghamton. "Qualquer tipo de material orgânico pode ser fonte de bactérias para usar no metabolismo."

Carregar baterias até lugares remotos e depois descartá-las com segurança costuma ser uma dor de cabeça sem as ferramentas certas. Por isso, essa tecnologia de papel vai ser especialmente útil para cientistas que operam em áreas remotas. "Papel é barato e biodegradável," disse Choi. "E não precisamos de bombas nem de seringas porque o papel absorve a solução com a força capilar."

Outra grande vantagem dessa bateria que ela custa incríveis cinco centavos para fabricar. Quando dobrada, tem o tamanho de uma caixa de fósforos e pode ser feita com papel sulfite. Para torná-lo condutor, um dos lados (o polo negativo, ou cátodo) é borrifado com um spray a base de níquel e o outro, com tinta de carbono, criando o lado positivo, ou ânodo.

A bateria não tem força o bastante para carregar, digamos, um celular. Ela é mais indicada para usos de baixa-energia (tipo, microwatts), como biosensores e LEDs. No momento, esses sensores de papel têm que ser combinados com outros aparelhos para fazer análises, mas Choi sonha com um dia em que as baterias de origami produzam energia o bastante para alimentar o sensor inteiro sozinhas. Todas essas propriedades tornam a nova tecnologia muito atraente para quem atua nas áreas de prevenção e controle de doenças, ainda mais no hemisfério sul.

A criação da bateria foi realmente uma lâmpada se acendendo na mente de Choi: "Eu liguei quatro baterias em série e um LED pequenininho acendeu" Disse ele. "Naquele momento, eu sabia que tinha conseguido." Chocante.

Ainda vai demorar para que as baterias alimentem cidades, mas esse é um primeiro passo em um empolgante mundo de circuitos flexíveis.

Fonte: IFLScience

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Pré-Comprar Ou Não Pré-Comprar, Eis A Questão - Quinta Jogando #16

A Forbes e vários outros sites costumam advertir as pessoas contra comprar jogos em pré-venda, mesmo os que prometem estratosfericamente e vêm de séries aclamadas, como Fallout 4. Olhando com atenção, pré-vendas só beneficiam os desenvolvedores e distribuidoras. Os clientes gastam dinheiro em um jogo, completamente às escuras, sem poder se basear em reviews e conversas com os amigos, torcendo para que eles valham o investimento quando lançarem. Na maioria das vezes, tudo acaba bem, mas sempre há o risco de se ter investido em um jogo ruim.


A E3 é um evento gigantesco onde os criadores de jogos do mundo todo se reúnem para mostrar suas crianções e convencer os fãs a comprá-las antecipadamente. Mas, depois de fracassos como Alien: Colonial Marines e com as promoções da Steam dando belos descontos a quem tem um pingo de paciência, será que ainda existem pré-compras aceitáveis?

Por que cargas d'água deveríamos pré-comprar qualquer jogo que seja? De um certo modo, ela é um voto de confiança. Os números de uma pré-venda demonstram o quão populares ou importantes certos jogos são para a comunidade. Fora isso, eles geram uma atmosfera de hype que pode fazer jogadores que estão em cima do muro optarem por comprar também. Isso significa que mais fãs estarão jogando o jogo ao mesmo tempo, compartilhando experiências uns com os outros ao invés de ficar correndo atrás do prejuízo depois de semanas ou meses.

E aí vêm os incentivos de pré-venda para quem os críticos adoram erguer o nariz. Alguns podem considerar besteira roupas diferentes e armas bônus (que é geralmente tudo que se ganha na "edição limitada"), mas existem os mais significativos. Trilhas sonoras e livros de arte são legais, mas Mortal Kombat X ofereceu como incentivo o icônico Goro, que representou uma pequena economia para os fãs que pré-compraram. Alguns jogos vão mais longe ainda, oferecendo escalas de bônus, como XCOM: Enemy Unknown antes de seu lançamento na Steam. Os bônus começaram com roupas clássicas, chapéus para Team Fortress 2 e eventualmente chegou a cópias gratuitas de Civilization V. O que faz esse sistema de escalas ser tão brilhante é que ele torna o ato de pré-comprar em um jogo por si só, com o gráfico em ascenção criando quase que uma consciência de manada. É fácil abrir a carteira quando mais de dez mil pessoas já fizeram o mesmo. Você acaba quase nem ligando para as recompensas.


Pode-se argumentar que o melhor incentivo de pré-venda é o acesso antecipado. Quem comprou a Master Chief Collection em um certo período teve acesso ao beta de Halo 5. CoD Advanced Warfare teve um lançamento no dia zero, que permitiu que os que compraram antes do lançamento começassem a jogar um dia antes de todo o resto. Esse, acima de todos, até mesmo dos pacotes de skins, deve ser O melhor motivo para se comprar um jogo, mesmo que seja meio absurdo se analisado a fundo. Basicamente, você está pagando o preço cheio de um jogo que ainda não lançou para ter acesso a ele ainda inacabado.

E mesmo esse tipo de relevância pode estar caindo de moda, com tantos jogos hoje saindo em acesso antecipado ou open betas. Os pobres diabos que compraram Evolve depois de duas grandes sessões de beta deveriam saber no que estavam se metendo. Mesma coisa com Battlefield Hardline. Com o passar do tempo, espera-se cada vez mais que os jogos ofereçam betas abertos que aliviem algumas das dúvidas inerentes a uma pré-compra.

Cada vez mais aparecem fatores que diminuem o risco de uma pré-venda. A nova política de reembolso da Steam é um grande passo, caso continue a valer. Além disso, um cliente sempre pode desfazer uma pré-compra, sem consequências. Considerado isso, comprar em pré-venda não é tão arriscado assim. A menos, é claro, que você esqueça que fez uma pré-compra. Se esse for o caso, é melhor deixar para comprar seu jogo a menos de uma semana do lançamento. Marque na agenda.


No final das contas, existem fatores que fazem comprar algo em pré-venda superar a pura praticidade de esperar o preço abaixar ou o apelo mediano dos bônus digitais. Eu não quero ter sempre que pensar e esquematizar as datas de lançamento. Há um conforto muito grande em simplesmente pré-carregar um jogo e rodá-lo na hora que ele é lançado. Jogar na hora zero e ter a catarse daquele momento é uma recompensa por si só. Rodar The Witcher 3 pela primeira vez junto com milhares de outras pessoas gera uma conexão quase espiritual. E ainda há a vantagem de não haver spoilers na internet.

E aí entram aqueles jogos que você vai acabar comprando independente do que aconteça, como Batman Arkham Knight, mesmo com seus DLCs exclusivos insanos. Como resistir ao Pacote de História da Arlequina? Depois vem Fallout 4. E XCOM 2, que se tiver um evento de bônus escalados, eu vou acabar contribuindo também. Em jogos assim, a questão não é se você vai comprar, e sim quando vai comprar. Às vezes, não tem problema ter um pouco de fé e provar para os criadores que você gosta do que viu até agora. Claro que há o fator de risco, mas se você sabe que comprar o jogo é um evento certo, porquê não levar junto algumas lembrancinhas na faixa?

Fonte: ShackNews

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Tome Duas Tuberculoses E Me Ligue De Manhã - Quarta Científica #16


Infecções são uma faca de dois "legumes" no que diz respeito ao câncer. Por um lado, elas são nossas inimigas. Vários vírus, como o HPV (causador da herpes), são famosos por criar lesões pré-malignas que podem levar à formação de um tumor. Inflamação crônica, que também pode ser causada por vírus e bactérias, também já foram associados ao desenvolvimento de um câncer.

Mas existe uma outra faceta da relação entre infecções e o câncer: elas podem ajudar na regressão de um tumor. Esse potencial de ter os patógenos como aliados nessa luta foi confirmado recentemente, quando os resultados de um teste clínico fase III foram favoráveis em pacientes de melanoma. Nesse estudo, a resposta ao tratamento foi compreensivelmente maior quando os tumores eram injetados com um vírus geneticamente modificado. Só que, apesar de nunca ter ganhado destaque, a ideia de usar vírus como armas anti-câncer não é de hoje, nem de ontem, mas de mais de um século atrás.

Piorando Antes de Melhorar


Em 1891, o cirurgião William B Coley começou a procurar tratamentos anti-câncer alternativos. Muito triste por uma jovem paciente que morrera de câncer, um sarcoma no braço esquerdo, Coley jurou encontrar um tratamento melhor. Ele procurou por registros antigos e descobriu registros de tumores que regrediram em pacientes que sofreram erisipelas, um tipo de infecção da pele causado pela bactéria streptococcus. Entusiasmado com a nova perspectiva, Coley tratou seu primeiro paciente em 1891 injetando culturas da bactéria diretamente no tumor. O paciente então teve febre altíssima e quase morreu, mas quando se recuperou, o tumor tinha desaparecido completamente. Sua saúde continuou boa por mais oito anos até que ele morreu devido a uma recaída.


Depois disso, Coley tentou curar vários de seus pacientes com sarcoma usando essa técnica, apesar do alto risco do tratamento. Mais tarde, para tornar o tratamento mais seguro, ele começou a usar uma mistura de bactérias streptococcus e serratia que eram mortas por calor antes da injeção. Apesar das bactérias não poderem mais se replicar e causar erisipelas, elas ainda geravam uma forte resposta imune e inflamação no local. Hoje sabemos que essas duas reações eram a chave do sucesso da terapia. O método criou o método das toxinas de Coley, que é citado até hoje como o primeiro tratamento bem-sucedido de imunoterapia.

Terapia Bacteriana Anti-Câncer


Câncer de bexiga é um outro exemplo do uso bem-sucedido de microorganismos como tratamento. Cerca de 70% dos pacientes de câncer de bexiga possuem um tumor não muscular e invasivo, o que significa que ele pode ser facilmente acessado de dentro da bexiga. Nestes casos, ele pode ser removido com uma pequena cirurgia, mas infelizmente esse tipo de câncer tem uma taxa de recaída muito alta, que varia de 30-75%, dependendo do tipo.

Em 1976, foi publicado pela primeira vez um artigo sugerindo o uso de uma injeção do Bacilo Calmette-Guerin (BCG) dentro da bexiga para gerar um efeito protetor. esse bacilo é muito usado em vacinações contra tuberculose. A vacina BCG é feita de uma linha bovina da bactéria que foi enfraquecida após um longo processo de cultura in-vitro. Apesar de ela não ser mais capaz de causar tuberculose em animais e humanos sadios, a vacina ainda possui bactérias vivas. Portanto, elas ainda podem ser cultivadas e injetadas.

Foi demonstrado que esse tratamento reduz duas vezes mais a chance do retorno do câncer três anos após o tratamento, quando comparado com a injeção de drogas quimioterápicas na bexiga. Entretanto, novamente, injetar patógenos no corpo tem suas desvantagens, sendo muito provável que o paciente passe por sintomas de gripe e irritação da bexiga.

Vírus ao Resgate


As bactérias não são os únicos microorganismos que podem ser usados contra o câncer. Alguns vírus têm propriedades oncolíticas (eles infectam e matam, específicamente, células cancerosas) e, ainda por cima, podem ser facilmente criados em laboratório, o que facilita a modificação genética.

Os vírus são um tipo de agente infeccioso extremamente evoluído. Quando eles entram em uma célula, injetam sua informação genética nela - ou a atiram para dentro, como o vírus da Herpes. A célula, então, usa aquela informação genética como se fosse dela, criando as proteínas virais correspondentes. Isso leva a célula, sem saber, a criar mais e mais partículas virais, até explodir. Esses novos vírus, então, podem buscar outras células para infectar.


Para a nossa sorte, as células humanas evoluíram a capacidade de "sentir" a entrada de vírus em seu citoplasma e reagir ou bloqueando sua produção de proteínas ou comentendo suicídio. Essa função é regulada com precisão e recebe o nome de "morte celular programada", impedindo que o vírus se espalhe mais.

O mais interessante sobre o câncer é que as células dos tumores, devido a várias mutações genéticas, perderam a habilidade de se proteger de vírus e realizar a morte programada. A sua incapacidade de morrer quando deveriam, na verdade, é a razão de elas serem malignas para começar. Sendo assim, os vírus podem ser um jeito de mirar, especificamente, as células dos tumores, poupando as saudáveis.

No teste clínico mencionado, foi usado o talimogene laherparepvec (T-VEC), uma forma modificada do vírus da herpes simples. O vírus normal é altamente evoluído e capaz de burlas os sensores virais de nossas células. Mas essa versão terapêutica foi enfraquecida geneticamente para ser controlável pelas células sadias e mesmo assim infectar células cancerosas. E sua habilidade de se replicar também não foi afetada, o que significa que mesmo uma pequena dose do vírus é capaz de infectar novos alvos até que todo o tumor seja destruído. Além disso, ele estimula a produção do fator GM-CSF nas células cancerosas, que faz células imunes se concentrarem na área. deste modo, o T-VEC acaba tendo dois efeitos: destruir as células diretamente e atrair células imunes para terminar o serviço.

Comparado com os exemplos anteriores, esse tratamento se mostrou bem mais seguro, sem nenhuma morte ocorrendo em decorrência dele e só alguns pacientes interrompendo a terapia alegando desconforto (4%). Ademais, a eficácia foi sem-precedentes para esse tipo de terapia, com 16,3% dos pacientes mantendo o estado de remissão por pelo menos seis meses, contra 2,1% dos pacientes do grupo de controle. Interessante notar que os benefícios foram ainda maiores em pacientes com melanomas menos graves, bem como nos que receberam o vírus como a primeira linha de tratamento.

Esses dados demonstram o potencial da infecção microbial para melhorar a imunoterapia do câncer e abrir o caminho para a criação de novos tratamentos.

Fonte: IFLScience

terça-feira, 9 de junho de 2015

Se As Pessoas Estão Com Medo de Jared Leto, Alguma Coisa Certa Ele Está Fazendo - Terça no Cinema #16

Créditos: Tattoodo

Alguns atores gostam de mergulhar fundo nos papéis. Tipo, muito fundo. De acordo com Scott Eastwood, parte do elenco de Esquadrão Suicida, Jared Leto é desses. Eastwood ficou tão impressionado com o Coringa durantes as filmagens que ele teve receio de se aproximar. Ele sabia que era o Jared, mas não o reconhecia.

Todos ouvimos falar que o Coringa de Jared Leto é meio... extremo e Eastwood parece corroborar isso. De acordo com uma história no site E!, o receio de se aproximar de Leto vem do medo de atrapalhar sua performance. Eastwood fala de Jared e do Coringa como duas pessoas diferentes e aparentemente tem medo de, por um contato com Jared, alguém que ele já conhece, o personagem Coringa fosse prejudicado.

Uau. Existe entrar no personagem e existe projetar o personagem de um tal jeito que os outros atores tenham medo de te distrair se te tratarem como você mesmo. Leto já deu o lugar para seus personagens antes, mas realmente parece que ele quer muito que este dê certo. Seja como foi a atuação de Jared, ele há de ser comparado com o último Coringa que esteve na telona, mas tudo indica que ele está comprando a briga. As respostas iniciais da escolha do ator foram... divididas. Mas o mesmo aconteceu com Heath Ledger, então é melhor não julgar ainda.

Scott Eastwood fala de seu medo de conversar com Leto no passado. Isso pode significar duas coisas: ou ele superou seu receio e agora consegue falar com Jared tranquilamente ou, provavelmente, ele já terminou de filmar cenas junto com o Coringa (ou talvez, todas as suas cenas no filme). Eastwood supostamente deveria encarnar Steve Trevor, principal interesse romântico da Mulher Maravilha, mas os rumores foram recentemente desmentidos e, até agora, seu papel é desconhecido.

Já que não sabemos nada sobre a história do filme, Eastwood e Leto estarem na mesma cena não dá nenhuma dica de seu personagem. Fotos vazadas mostram o ator em trajes militares, mas isso é só o que sabemos. Não há nada que o torne comparável a nenhum personagem específico da DC (isso se o seu personagem for parte do universo DC para começar).

Esteja você entusiasmado ou aterrorizado com a perspectiva de ver o novo Coringa, com certeza todo mundo está curioso. Nossa chance de ver que tipo de Coringa Jared Leto será e qual será, exatamente, o personagem de Eastwood chegará só ano que vem, quando o filme estrear.

Fonte: CinemaBlend

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Já é alguma coisa... - Tecno-Segunda #17


Doctor Who usa sua ficcional chave-de-fenda sônica em uma enorme gama de situações, desde abrir fechaduras a hackear computadores, caixas eletrônicos e desarmar bombas. E ela ainda vira parafusos! E as pesquisas indicam que pelo menos um poder desse ícone da ficção científica pode ser baseado em fatos científicos.

Dizer que ondas sonoras têm energia não parece nenhuma loucura - é só pensar nas sensações físicas que um alto falante tocando notas graves em uma boate ou show causa nas pessoas. O som pode ser sentido fisicamente, não só ouvido. E um jeito fantástico de ver isso em ação são os experimentos de levitação acústica: se a distância entre um alto-falante e um refletor for calculada exatamente e eles puderem formar uma onda estacionária, pode-se levitar objetos e mantê-los no ar em regiões de baixa pressão (chamadas de nodos).


Apesar de parecer coisa do Tinhoso à primeira vista, o fenômeno se resume ao fato de que ondas acústicas, como suas irmãs eletromagnéticas, tem momentum, ou seja, são capazes de aplicar uma força, que costuma receber o nome de Força de Radiação Acústica. Se ela for maior que a gravidade, objetos levitam. Altos-falantes geralmente produzem momentum linear, portanto eles podem mover objetos em linhas retas.

Isso é ótimo para se repelir Daleks, mas não serve de nada para girar parafusos. E é aí que entram os vórtices acústicos: ondas sonoras em forma de espiral. Esse padrão faz com que os vórtices tenham momentum rotacional ao invés de linear. Se for possível transferir esse momentum para um objeto, tipo um parafuso, teremos, literalmente, uma chave-de-fenda sônica.

Os primeiros que conseguiram chegar perto de criar uma chave-de-fenda sônica foi uma equipe de pesquisa da Universidade de Dundee. Em 2012, eles criaram um vórtice acústico que funcionava com um transdutor ultrassônico médico feito para destruir tumores. Essa gambiarra foi usada para absorver o momentum giratório das ondas. Impressionante, sem dúvida, mas isso não chega ao ponto de replicar os poderes da companheira do Doutor. Nós fomos além e demonstramos que o mesmo conceito pode ser usado para manipular partículas microscópicas.

Para criarmos as ondas sonoras em espiral, nós usamos vários alto-falantes ultrassônicos em círculo. Esse arranjo, com 10mm de diâmetro, criou vórtices acústicos de apenas 1mm. E por sua vez, os vórtices foram capazes de girar objetos medindo entre 1 e 100 mícrons, a espessura de um fio de cabelo humano. Se o tamanho do objeto fosse bem específico, as ondas até chegavam a formar um minúsculo tornado.


Por exemplo, quando miramos o aparelho em uma mistura de farinha de trigo e água, os grãos de farinha foram atraídos para o centro do vórtice onde ficaram girando em alta velocidade. Em contraste, partículas menores ficaram só girando lentamente em círculos e de forma nenhuma foram atraídas para o núcleo. Tal escala milimétrica significa que podemos afirmar ter criado uma chave-de-fenda sônica para relojoeiros, capaz, talvez, de vencer a menor das chaves físicas existentes.

Apesar de ser ótimo começar a trilhar o caminho de fazer Doctor Who deixar de ser ficção científica, será que esses vórtices acústicos têm uso no mundo real? A resposta é sim, só que não como os Whovians imaginam. Por exemplo, eles poderiam ser usados como centrífugas microscópicas capazes de separar células, ou purificar água. Todas essas possibilidades se tornam possíveis graças aos estudos que mostram que partículas de tamanhos diferentes têm comportamentos próprios quando expostos a vórtices acústicos.

Ainda mais empolgante é o fato desse movimento das partículas ser extremamente sensível às suas propriedades materiais, como densidade e dureza. Isso pode gerar novos métodos de diagnósticos na medicina. Se, por exemplo, células saudáveis puderem ser separadas das doentes (acredita-se que células cancerosas sejam mais moles que o normal), seria possível detectá-las em uma escala muito pequena, o que seria perfeito para os campos da medicina e da investigação forense.

Provavelmente os vórtices acústicos logo irão ser um dos métodos usados para manipular matéria microscópica. Às vezes o fato científico pode ser tão interessante quanto a ficção - agora só falta alguém descobrir como funciona a TARDIS.

Fonte: IFLScience

terça-feira, 2 de junho de 2015

Não É Só Pelos $190 Milhões #vempragrade - Terça no Cinema #15


Às vezes, abaixo-assinados funcionam, às vezes não. Mas será que quando uma empresa de bilhões de dólares como a Disney decide cancelar um filme como Tron 3 de maneira curta e grossa, as vozes dos fãs vão fazer a diferença? Um novo abaixo-assinado no site change.org com certeza vai tentar. O objetivo da petição é pedir que a Disney reconsidere seus planos de interromper a franquia Tron.

Foi noticiado aos quatro ventos na última sexta-feira que a Disney cancelou a produção de Tron: Ascenção, mesmo com uma suposta data de início e a aparente volta dos protagonistas de Tron: o Legado, Garrett Hedlund e Olivia Wilde. Houve quem dissesse até que Jared Leto, destaque do elenco de Esquadrão Suicida, estaria na equipe, apesar de nunca terem havido negociações. A Disney nunca tinha anunciado oficialmente o filme para começar, mas a notícia do cancelamento fez com que os fãs se unissem com prontidão, juntando 12.000 assinaturas e crescendo, implorando que o filme seja ressuscitado. O superfã Lucas Lowman criou a petição a favor de Tron 3 declarando que:

"Tron: o Legado arrecadou mais de 400 milhões de dólares e ajudou a dar mais vida ao mundo criado no filme original. É uma pena que a Disney tenha decidido não prosseguir com um terceiro filme, já que o universo é tão rico e pouco-explorado. Assine essa petição para que mostremos à Disney que A Grade é legal demais para ser esquecida e que Flynn vive."

Lucas Lowman originalmente pediu 15.000 assinaturas, mas na tarde de terça-feira da publicação deste artigo, já estava próximo de atingir 25.000. Se você quiser, pode assinar a petição e demonstrar seu apoio com a hashtag #FlynnLives. A Disney não fez nenhum pronunciamento oficial, mas são grandes as suspeitas de que o motivo do cancelamento seja a abertura medíocre de Tomorrowland. O filme, depois de duas semanas, conseguiu $63.1 milhões de dólares nos EUA e $133.1 milhões no mundo todo, contra um custo de produção de $190 milhões. Já Tron: o Legado rendeu $172 milhões nos EUA, pagando seu custo de $170 e pendendo a balança com os $228 milhões no resto do mundo. Não foi nenhum fracasso, mas tampouco foi o sucesso que a Disney esperava. Um executivo anônimo declarou que Tron 3 não vai acontecer simplesmente porque a empresa está com a agenda muito cheia:

"Outras coisas ganharam prioridade e temos muita coisa para lançar antes dele [Tron 3]. Começamos a pensar 'onde isso vai?' E é um investimento grande demais para se fazer sem saber quando vai ser lançado."

Ninguém sabe se o abaixo-assinado vai mudar alguma coisa na situação de Tron 3, exceto mostrar para a Disney que ainda há entusiasmo para o projeto. Mesmo que 15.00 fãs assinem a petição e cada um pague $8 dólares no ingresso, isso só dá $120.000 de bilheteria. Um valor ridículo de tão baixo, e isso presumindo que todos que assinarem a petição compareçam para assistir o filme no cinema.

Fonte: MovieWeb

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Não Chame Seu Apartamento de Ovo. Esse Ovo Deve Ser Mais Espaçoso Que Ele - Tecno-Segunda #16


Pequena, elegante e com formato de ovo - a Ecocapsule é o último lançamento em mini-moradias do estúdio arquitetônico Nice Architects, com sede na Bratislava.

Alimentada por uma turbina eólica retrátil e painéis solares, ela permite que duas pessoas vivam confortavelmente fora do radar por até um ano.


E não é nenhum cortiço - a Ecocapsule consegue abrigar seus dois ocupantes com conforto em oito metros quadrados de espaço muito bem-desenhado.


"O maior desafio foi integrar todas as diferentes tecnologias no pequeno espaço da cápsula e ainda ter espaço para gente viver," disse a Nice Architects ao site Bored Panda.

Com a capacidade de captar água de chuva, a Ecocapsule tem todas as facilidades de uma casa normal. Ela possui uma kitchenette integrada com direito a água corrente, um banheiro com descarga e até um chuveiro aquecido. "O reservatório de água tem uma válvula de escoamento, então se os tanques estiverem cheios, eles não vão receber mais água. Mas isso é difícil de acontecer", disse o estúdio.

Prevista para ser lançada em 2016, a Nice Architects imagina suas cápsulas sendo usadas como acampamentos, centros de pesquisa e até abrigos emergenciais. No momento, não está claro qual será o custo, mas espera-se que os preços sejam revelados até o final do ano.


No momento, a Ecocapsule só pode ser transportada via reboque, mas a empresa planeja disponibilizar uma versão motorizada para maior portabilidade no final de 2016.

Fonte: IFLScience