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terça-feira, 28 de junho de 2016

SKYNET Não Faz Buzinaço - Tecnologia #42


A Google publicou seu mais recente relatório mensal sobre as peripécias de seu carro autônomo, e, ao que parece, ele inclui uma nota curiosa sobre o uso apropriado da buzina. Sob uma seção intitulada "Abaixo a tirania da buzina", os engenheiros responsáveis pelos futurísticos veículos explicam suas tentativas de ensinar aos carros autônomos que eles devem buzinar de maneira educada, e só quando necessário.

"O ato humano de buzinar pode ter um valor artístico performático, mas nossos carros autônomos devem ser educados, compreensivos, e só buzinar quando isso for tornar o trânsito mais seguro para todos," notam eles, para logo depois explicar que o trabalho para melhorar os assim chamados "algoritmos de buzina" é contínuo.

O carro autônomo da Google, falando em termos gerais, está indo muito bem, obrigado. Fora uma colisão incrivelmente lenta com um ônibus, e ter tido que desviar bruscamente de uma mulher que atravessava a rua numa cadeira de rodas e que espantava um pato com uma vassoura, não houve grandes incidentes que pudessem atrapalhar o desenvolvimento do programa.

Conforme diz o relatório, os carros autônomos já dirigiram sozinhos por 2.64 milhões de quilômetros (ou 1.64 milhões de milhas) desde 2009. Funções avançadas vêm sendo incluídas aos poucos, e o alcance dos veículos foi expandido para além do local de testes original, em Mountain View, Califórnia, e passou a incluir Austin (Texas), Phoenix (Arizona) e Kirkland (Estado de Washington).

A mais nova função se refere ao uso autônomo da buzina do veículo, ao qual foi permitido usá-la se seu software visual de 360º julgar que existe uma ameaça confirmada ou potencial que o uso da buzina poderia aliviar. Por exemplo, ele daria um pequeno toque ao sair de ré de um ponto cego.

Inicialmente, os passageiros dentro do carro tomavam notas sobre se os usos da buzina eram, de fato, apropriados, sendo que o som era mantido dentro do veículo. Ou seja, neste estágio, motoristas em outros carros não ouviam os toques do carro da Google, para o caso de ele repentinamente começar a buzinar desenfreadamente e fazer os passageiros rirem ou se irritarem ao ponto de perder o foco.

Uma vez que, aparentemente, a etiqueta de buzina do carro melhorou rapidamente, os engenheiros permitiram que o som fosse transmitido para o mundo exterior. Até agora, não parece ter havido casos de "road rage" ou de usos altamente incorretos da buzina. O carro é até capaz de usar vários tipos de toques, dependendo do que a situação em volta exigir.

Longe do uso frequente dado pelos humanos, que um artigo de 1983 chama de "instrumento de tortura", os carros autônomos da Google dificilmente perderão a mão e começarão a usar a buzina com intenções maliciosas. Ou seja, não só a crescente frota de veículos automatizados será teoricamente capaz de salvar até 35.000 vidas todo ano ao tirar o controle das mãos dos imprudentes humanos, como cada um desses curiosos carrinhos, de quebra, ainda será perfeitamente educados e corteses.

Artigo Original: Google's Self-Driving Car Now Knows When To Honk Its Horn

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O Dobro da Wi-Fi por 10.000x Menos - Tecno-Segunda #41


A Wi-Fi está em todo lugar hoje em dia, nos fornecendo acesso remoto e sem fio à internet sem o risco de ficarmos tropeçando em cabos toda hora. No entanto, ela consome muita energia, e esvazia a bateria dos dispositivos conectados com uma rapidez incrível. Felizmente, uma equipe de engenheiros da Universidade de Washington está vindo para nos salvar: eles demonstraram uma técnica que permite que um sinal Wi-Fi seja gerado gastando 10.000 vezes menos energia que o normal.

Essa nova "Wi-Fi Passiva" também consome 1.000 vezes menos energia que o Bluetooth. Na verdade, comparada aos métodos tradicionais, esta revolucionária tecnologia praticamente não usa energia nenhuma. Apesar de, atualmente, só transmitir dados a, no máximo, 11 megabits por segundo - bem menos que as Wi-Fis mais rápidas - ela ainda consegue ser 11 vezes mais rápida que o Bluetooth.

Essa prova de conceito se baseia em uma técnica chamada de "backscattering de Wi-Fi", através do qual o sinal transmitido entre um roteador sem fio e qualquer dispositivo receptor pode ser manipulado. Pesquisas anteriores na UW demonstraram que equipamentos de baixa energia podem ser usados para refletir e "distorcer" o sinal, codificando-o enquanto ele é transmitido. Daí, o dispositivo conectado receberia essas novas distorções como dados novos.

A Wi-Fi Passiva é uma evolução dessa técnica. Primeiro, uma conexão com a internet é feita com um único roteador conectado, que envia um sinal de Wi-Fi, como costuma ser feito. Então, uma rede de sensores remotos Passivos refletem e absorvem esse sinal, criando múltiplos canais de dados que podem ser "quicados" para vários aparelhos receptores.

Tradicionalmente, todos esses dispositivos estariam conectados ao roteador, o que causaria um gasto muito grande de energia. Com a Wi-Fi Passiva, quase toda a energia é usada pelo roteador para gerar o sinal inicial; tudo que os sensores fazem é enviar e receber o sinal, coisa que praticamente não requer energia.


"Nossos sensores podem se comunicar com qualquer roteador, tablet ou outro aparelho eletrônico com um chipset para Wi-Fi," disse Bryce Kellogg, doutorando em Engenharia Elétrica na UW e co-autor da pesquisa. "O mais legal é que todos esses dispositivos podem decodificar os pacotes de Wi-Fi que criamos com as reflexões, então não é necessário usar equipamento especializado."

Esse sistema de Wi-Fi de baixa energia significa que dispositivos de todos os tamanhos e formas podem ser conectados à internet por períodos longos de tempo, com um custo energético desprezível. Um futuro cheio de aparelhos interconectados e, essencialmente, sem necessidade de energia é parte do conceito chamado de "Internet das Coisas." Imagine uma série de sensores que detectam mudanças de luz, calor, movimento, barulho ou qualidade do ar, para depois transmitir esses dados para outros aparelhos dentro da casa sem ter sua energia drenada pela Wi-Fi.

Alguns desses sensores já praticamente não precisam de alimentação. Um minúsculo sensor de temperatura que foi inventado ano passado se alimenta das ondas de rádio enviadas da rede Wi-Fi que ele usa para enviar suas informações. A combinação disso com a Wi-Fi Passiva pode levar a uma nova geração de redes de comunicação de baixíssima energia.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A Grande Maçã Zela Por Ti - Tecno-Segunda #40


E se você fosse ligar seu carro e o Apple Watch te impedisse?

Sim, o Apple Watch, com a sua permissão, estava ciente de que você passou as últimas horas no bar, monitorou seu batimento cardíaco e outras informações fisiológicas, e viu as alterações condizentes com excesso de álcool no corpo.

Quando você entrou no seu carro, ele se conectou ao sistema de entretenimento gerido pelo CarKit, compreendeu sua situação e desabilitou o botão de partida. E ao invés disso, você usou seu Apple Watch para chamar um Uber.

Ou então, ao invés de um bar, você está saindo do trabalho. Seu dispositivo se conecta ao sistema de som do carro e, baseado no seu nível elevado de estresse, começa a tocar suas músicas relaxantes favoritas.

Isso já é quase possível.

Pela primeira vez, seremos capazes de combinar dados antes inalcançáveis para mudar como interagimos com o mundo de maneira tão integrada (e medindo a nós mesmos no caminho).

O Apple Watch é onde seus mundos digital, físico e fisiológico começam a se cruzar.

Como isso acontece?

Localização, localização, localização


Tudo começa com a localização. Esses dados foram e continuam sendo o cerne da telefonia celular moderna. Mas unir o GPS, e, mais recentemente, as interações com os iBeacons, a dados coletados passivamente sempre foi o santo graal da tecnologia móvel.

Até pouco tempo atrás, o consumidor médio tinha vários sensores em seus aparelhos: GPS, acelerômetro, medidor de sons e assim por diante. Mas, para a maioria de nós, o smartphone ficava fora de vista, em nossos bolsos ou bolsas. Ele não estava disponível com um gesto do pulso.

Esses sensores, combinados com os comandos do usuário, tornaram os geodados úteis e relevantes. Serviços como o Yelp, o Foursquare, o Google Maps e o Fitbit não existiriam sem ela. Agora, inúmeras outras empresas estão trabalhando em soluções para dentro das lojas que unem dados hiper-locais com o comércio, entre outras coisas.

Como? A resposta é parte da função mais desejada para o Apple Watch. Com base nas pesquisas que realizamos mês passados, constatamos que os usuários querem andar por uma fileira do supermercado e ver sua lista de compras se atualizando dinamicamente. Interações simples como essas são só a ponta do iceberg.

Um Relógio Sensível


Mas o Apple Watch leva os sensores a outro patamar.

Os sensores agora podem medir os dados fisiológicos de uma pessoa, melhorando e complementando outros dados.

O Apple Watch consegue monitorar:

- Os níveis e variações do batimento cardíaco;
- Espasmos, tremedeiras e níveis de agitação em geral;
- Potencialmente, no futuro, pressão sanguínea e níveis de oxigênio.

Diferente do iPhone, o aspecto do Apple Watch de sempre estar com o dono significa que essas informações podem ser monitoradas constantemente e atribuídas à pessoa certa com 100% de certeza.

Enquanto seu iPhone pode ser apropriado pelo seu filho que quer jogar alguma coisa, ou pode ficar esquecido no fundo do seu bolso, o Apple Watch está sempre à mão e é registrado exclusivamente para seu dono.

A Apple ter introduzido esses novos sensores humanos vai permitir que outras empresas e seus consumidores explorem uma área de dados completamente nova.

Do nada, seremos capazes de descobrir o quão estressado você está em uma reunião ou o quão nervoso antes do primeiro encontro.


A ponte para a saúde digital 2.0


AS pessoas já estão usufruindo dos benefícios do Apple Watch como uma ferramenta de monitoramento de saúde melhorada e conectada.

O monitor cardíaco do Apple Watch salvou a vida de um jogador de futebol americano ao detectar os primeiros sinais de um problema renal potencialmente fatal.

O Epiwatch, o primeiro aplicativo do ResearchKit para Apple Watch, é feito para que os usuários epilépticos monitorem suas convulsões e, eventualmente, entendam melhor sua doença. O aplicativo coleta e monitora dados tanto dos sensores do Apple Watch quanto dos comandos manuais antes, durante e depois de convulsões epilépticas.

Redes de dispositivos


O Apple Watch (e o iPhone) também podem interagir com outros dispositivos da Internet das Coisas e com nuvens.

Quanto mais interagirmos e usarmos o Apple Watch de maneiras que podem ser medidas e visualizadas analiticamente, melhores serão nossas ideias sobre o que "realmente está acontecendo".

Sabemos que algumas emoções e estados mentais deixam rastros fisiológicos que o Apple Watch pode medir - pulso acelerado, tempo de resposta maior ou menor, instabilidade.

Ao combinar esses dados fisiológicos com outros do ambiente do usuário, a "inteligência" da informação aumenta. Outros acessórios ou objetos conectados - como monitores de ruído e sons, termômetros, sensores de poluição, detectores de exposição solar, etc. - contribuiriam para uma análise do estado mental ou físico de uma pessoa. O dispositivo, então, poderia alertar o usuário de qualquer comportamento ou estado psicológico anormal.

No futuro próximo, novos aplicativos do Apple Watch oferecerão lembretes gentis para que seus usuários diminuam um pouco o ritmo e até deem um tempo - tudo baseado em um entendimento verdadeiramente holístico do bem-estar de alguém.


Um futuro brilhante


Possibilidades como essas podem melhorar nosso bem-estar de uma forma muito simples. Elas abrem as portas para uma dimensão completamente nova para a inovação.

Sob essa ótica, o Apple Watch é, de fato, o primeiro dispositivo íntimo e pessoal. Ele quer mudar como nós vivemos o cotidiano.

Fonte:TechCrunch

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Dê-me A Visão Além do Alcance! - Tecno-Segunda #39


Parece coisa de um filme de James Bond: ser capaz de acompanhar o movimento de um objeto através de uma parede. E é exatamente isso que os cientistas conseguiram fazer. Uma equipe da Universidade Heriot-Watt em Edimburgo desenvolveu uma câmera que registra fótons individuais, o que permite a visualização de objetos fora do campo de visão.

"O sistema funciona mandando luz da câmera para o objeto ou pessoa oculta, e a recebendo de volta," explica Genevieve Gariepy, uma das autoras do artigo publicado na Nature Photonics. "Ao medir o tempo que a luz demora para voltar para a câmera, sabemos a que distância o objeto está. E ao gravar o formato do 'eco' de laser, sabemos de que direção ele está vindo. A câmera só precisa de um segundo para gravar tudo isso, então se o objeto estiver se movendo, podemos acompanhá-lo."


Estudos anteriores mostraram que é possível identificar objetos ocultos, mas esses métodos precisam de tempo para receber e decodificar toda a informação, o que limita a capacidade da câmera de seguir objetos em movimento. Por outro lado, essa nova técnica recebe informação suficiente para descobrir a posição do objeto em apenas um segundo, permitindo que a equipe rastreie objetos ocultos enquanto eles se movimentam em tempo real.

A câmera utilizada é um equipamento altamente especializado, do tipo que você não encontra no shopping do centro. Capaz de registrar a posição de um fóton individual, ela grava a absurdos 20 bilhões de quadros por segundo. Isso permite que os pesquisadores a coloquem perto da esquina além da qual eles queiram ver e projetem um simples raio laser no chão perto da dobra. Isso produz um "eco" de fótons que se espalha ao redor do ponto em que o laser atinge o chão.

Quando os fótons atingem o objeto oculto, o bonequinho de espuma do vídeo acima, eles quicam de volta e entram no campo de visão da câmera. Esse padrão de fótons voltando que a câmera mede. Mas só isso não permite que o objeto seja identificado - já que uma parede sólida também reflete os fótons - mas se o objeto em questão estiver se movendo, então a câmera pode gravar as mudanças detectadas no padrão.

Isso funciona de um jeito diferente dos métodos anteriores, que tentaram construir imagens em 3D de objetos estáticos fora da linha de visada, o que exigia um período de tempo maior para formar a imagem. O foco desse novo estudo é rastrear o movimento de um objeto, não necessariamente identificar o que ele é.

Os pesquisadores esperam que essa tecnologia possa ser usada em zonas devastadas, onde ir ao chão possa ser perigoso demais, ou mesmo em veículos automotores, para expandir sua linha de visão. "Nós já conseguimos aumentar a distância na qual o sistema de câmera funciona para vários metros," disse Daniele Faccio, chefe do estudo, "Também estamos pensando em métodos para tentar a reconstrução em 3D dos objetos capturados pela câmera."

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Diamantes São Os Melhores Amigos De Um Geek - Tecno-Segunda #38


Cientistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte descobriram uma nova forma de carbono sólido, chamada de carbono-Q, e ela tem propriedades curiosas. O carbono-Q é ferromagnético, mais duro que diamante e brilha quando exposto a energia. Essas propriedades fazem com que ele seja diferente do grafite e do diamante (que são as duas outras formas, ou fases, do carbono sólido), e os pesquisadores descobriram que esse Q pode ser usado para construir estruturas de diamante em temperatura ambiente.

Para criar o carbono-Q, é necessário ter duas coisas: uma fonte de carbono e um substrato, o material onde a reação possa ocorrer. A fonte é o que se chama de carbono amorfo, onde todos os átomos estão distribuidos de forma irregular e desorganizada. Um bom exemplo é o carvão, e, neste caso, a escolha do substrato ficou entre safira, vidro e plástico.

O substrato foi revestido com uma camada de carbono amorfo e depois atingido com um único pulso de laser por aproximadamente 200 nanosegundos, o que elevou sua temperatura para 4000 Kelvin (3,726ºC). Logo após, o carbono foi rapidamente resfriado, e se cristalizou em carbono-Q.

"Conseguimos criar uma terceira fase sólida para o carbono," disse Jay Narayan, autor-chefe de três artigos detalhando a pesquisa. "O único lugar em que ela talvez pudesse ser encontrada na natureza é no núcleo de alguns planetas."

Até agora, o carbono-Q foi produzido em camadas entre 20 e 500 nanômetros de espessura. Os pesquisadores detêm muito controle no processo de criação e, mudando o substrato ou o comprimento do pulso, eles foram capazes de criar nanoestruturas de diamante dentro do novo material.


"Podemos usar esse diamante para criar nanoagulhas, microagulhas, nanopontos, ou revestimentos para grandes áreas. Tudo isso pode ser aplicado na administração de medicamentos, processos industriais e na criação de eletrônicos e interruptores de alta temperatura," disse Narayan.

"E tudo é feito à temperatura e atmosfera ambientes - basicamente, estamos usando um laser como o de cirurgias oftalmológicas. Portanto, isso não só nos permite desenvolver novos usos, como o processo em si acaba sendo relativamente barato."

Se um método barato de produção em grande escala for encontrado, as incomuns propriedades do carbono-Q podem torná-lo um material fantástico para a indústria da tecnologia. Além de ser duro e resistente, a resposta do material a impulsos magnéticos e luminosos o tornam muito promissor para o desenvolvimento de novos displays eletrônicos.

O artigo mais recente foi publicado no Journal of Applied Physics, enquanto que o que trata dos nano-cristais de diamante foi publicado em Outubro na APL Materials.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Flores de Plástico Com Aroma Natural de Rosas - Tecno-Segunda #37


Uma equipe de cientistas da Universidade Linköping na Suécia desenvolveram a primeira planta eletricamente melhorada, criando circuitos tanto analógicos quanto digitais dentro de uma rosa viva. Essa tecnologia pode permitir que os cientistas controlem o crescimento e os processos químicos das plantas, bem como usar a fotossíntese para criar novas células solares.

O grupo sueco introduziu um polímero dentro do sistema natural de vasos e nas folhas da flor, e demonstraram que é possível criar componentes elétricos parecidos com fios, transistores e até elementos de exibição.

A equipe usou um polímero altamente condutor, chamado PEDOT-S, para formar fios dentro do interior do xilema, o tecido que transporta água pela planta. Os fios foram montados através da exposição de rosas podadas a uma solução do polímero, que se espalhou uniformemente pela planta, cobrindo o xilema e formando estruturas condutoras maiores que cinco centímetros. Já que o polímero não preencheu o xilema completamente, a capacidade da planta de transportar água e nutrientes não foi prejudicada.

A seiva vegetal é cheia de íons (moléculas com carga) que são usados pelas plantas para regular o crescimento e transportar energia. Usando os fios e a seiva, eles foram capazes de criar um transistor eletroquímico, transformando os sinais iônicos em informação eletrônica. Esses transistores se comportaram quase da mesma forma que os que se encontra em computadores e telefones.

Os cientistas também infundiram as folhas da planta com um polímero diferente, outro membro da família PEDOT, que criou "píxels" nos veios da rosa. Ao mandar sinais eletroquímicos através dos veios, eles foram capazes de ativar esses píxels, mudando a cor das folhas entre verde-claro e verde-escuro, como se elas fossem telas simples,

O professor Magnus Berggren, líder do grupo que desenvolveu a tecnologia, acredita que plantas eletronicamente melhoradas podem ter um grande impacto tanto na nossa compreensão delas quanto no desenvolvimento de tecnologias integradas, como células de combustível baseadas na fotossíntese, biosensores, reguladores de crescimento e aparelhos que controlam as funções internas das plantas.

"A partir das nossas conquistas atuais, eu diria que a combinação de sensores e mecanismos de transporte para hormônios vegetais são a principal consequência: podemos ler e gravar padrões de sinal dentro da planta e, então, regular a fisiologia param por exemplo, afetar seu crescimento, florescimento, etc," disse o professor Berggren ao IFLScience. Ele deu ênfase ao fato de que isso pode criar um campo de pesquisa novo, já que, até onde ele se recorda, essa foi a primeira vez que um feito assim foi realizado. A pesquisa foi publicada na Science Advances.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Bebeu Água? Tá Com Sede? O Filtro Também - Tecno-segunda #36


A água é, de longe, a substância mais importante para os humanos. Alguns países têm mais acesso a ela do que outros; aqueles que têm climas mais secos e acesso ao mar geralmente usam usinas de dessalinização para remover o sal da água, mas esse processo costuma ser lento e energeticamente dispendioso. Felizmente, uma equipe de engenheiros estadunidenses descobriu uma nova técnica para purificar a água usando filtros "sedentos" cheios de nanoporos, que consomem uma quantidade de energia incrivelmente baixa. As descobertas foram publicadas na revista Nature Communications.

A nanotecnologia é um campo em franco desenvolvimento, especialmente no que toca ao grafeno, o material-maravilha, que pode ser usado para criar várias coisas, desde lentes de contato de visão noturna até filtros para água. Folhas de grafeno de um átomo de espessura, cheias de furos nanoscópicos, permitem que as moléculas de água atravessem a barreira enquanto bloqueiam as moleculas de sal, que são maiores, do outro lado, filtrando a água de maneira eficiente e com baixo gasto de energia.

Essa nova pesquisa melhorou drasticamente esse método já altamente eficiente ao trocar o grafeno, feito de carbono, por um composto chamado dissulfeto de molibdênio (MoS2). Usando exatamente o mesmo mecanismo de filtragem por nanoporos, a equipe demonstrou que esse composto é capaz de filtrar 70% mais água pura da água salgada do que o grafeno - mas como?

Não são só os nanoporos que fazem do dissulfeto de molibdênio um sistema de filtragem eficaz: ele tem vantagens inerentes baseadas em sua química. "O molibdênio no centro atrai a água, e então o enxofre no outro lado a afasta, então temos uma quantidade de água muito maior atravessando o poro," disse Mohammad Heiranian, primeiro autor do estudo. Então não só a água flui por sua própria pressão, como ela está sendo "sugada" pela atração-e-repulsão química do filtro.

Usinas de dessalinização comuns usam o método da "osmose reversa", o oposto da osmose, que, como você deve ter aprendido na escola, é um processo no qual as moléculas se deslocam entre áreas com concentrações diferentes delas mesmas para que haja um equilíbrio.

A extração de água pura da água do mar ou salobra requer que a água se desloque de uma área de alta concentração de sal para uma de baixa concentração. Para isso, é necessário gerar artificialmente pressões muito altas sobre a água do mar quando ela encontra membranas semipermeáveis, e isso usa uma quantidade de energia considerável. Em contraste, o método do dissulfeto de molibdênio tem um custo energético bem menor, e é bem mais fácil de se manter,


"Apesar de termos muita água neste planeta, muito pouco dela é potável," disse Narayana Aluru, professor de ciência e engenharia mecânicas na Universidade de Illinois e chefe da pesquisa. "Se pudéssemos encontrar um jeito eficiente e barato de purificar água do mar, seria um grande avanço na direção da solução da crise hídrica."

Essa nova técnica de filtração com dissulfeto de molibdênio ainda está no estágio de desenvolvimento, mas a equipe parece acreditar que suas descobertas poderão ser aplicadas em escala industrial.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Prioridade #1: Salvar o Gato! - Tecno-Segunda #36



Nós tomamos decisões todo dia julgando seus riscos - tipo atravessar correndo uma rua vazia para pegar o ônibus, coisa que não fazemos se ela estiver cheia. Às vezes, essas decisões precisam ser tomadas em instantes, diante de circunstâncias graves: uma criança entra na frente do seu carro, mas existem outros perigos de ambos os lados, por exemplo, um gato e um penhasco. Qual é a sua decisão? Você arriscaria sua própria segurança para proteger a de outros?

Agora que carros autônomos existem no mercado, sem um jeito rápido ou certo de reaver o controle - alguns, inclusive, não têm controle manual nenhum - as fábricas de carros estão diante de um dilema ético algorítmico. Computadores de bordo em carros já estacionam por nós, dirigem por nós em piloto automático, e seriam capazes de assumir o controle em situações críticas. Mas isso quer dizer que eles vão ter que encarar as escolhas difíceis que os humanos por vezes encaram.

Como programar o cálculo ético de um computador?

- Calcular o número de feridos em cada resultado e escolher o menor. Todas as vidas seriam tratadas igualmente.
- Calcular o número de crianças feridas para cada resultado e escolher o menor.
- Atribuir valores de 10 para cada humano, 4 para um gato, 2 para um cachorro e 1 para um cavalo. A partir disso, calcular a pontuação total de cada impacto e escolher o resultado com a menor soma. Portanto, um grupo grande de cachorros teria mais prioridade do que dois gatos, e o carro reagiria para salvar os cachorros.


E se o carro também incluísse o motorista e os passageiros nessa contagem, com a possibilidade do resultado dos transeuntes ser maior do que o das pessoas dentro dele? Quem, por vontade própria, entraria em um carro programado para sacrificá-lo se houvesse necessidade?

Um estudo recente de Jean-François Bonnefon da Escola Econômica de Tolouse, na França, sugeriu que não há respostas certas ou erradas para essas perguntas. A pesquisa usou algumas centenas de funcionários recrutados através do fórum Mechanical Turk da Amazon para analisar opiniões a respeito de cenários de pedestres sendo salvos por um carro que desvia, bate em uma barreira e mata o motorista. Depois disso, variaram o número de pedestres que seriam salvos.

Bonnefon descobriu que a maioria das pessoas concordou com a ideia de programar carros para minimizar o número de mortos, mas quando os cenários recebiam mais detalhes, elas passavam a ter menos certeza. Elas ficavam ansiosas em ver os outros usando carros autônomos, mas, usá-los elas mesmas, nem tanto. Portanto, as pessoas costumam sentir um instinto utilitário de salvar a vida dos outros e sacrificar quem esteja no carro, menos quando elas estão no carro.

Máquinas Inteligentes


Escritores de ficção científica tiveram muito espaço para escrever sobre robôs dominando o mundo (Exterminador do Futuro e cia ldta.) ou sobre futuros onde tudo que é dito é gravado e analisado (como o 1984 de George Orwell). Demorou um pouco para chegarmos nesse ponto, mas muitos chavões da ficção científica estão no processo de se tornarem ciência e tecnologia comuns. A internet e a computação de nuvem se tornaram a plataforma pela qual saltos quânticos de progresso são feitos, comparando a inteligência artificial com a humana.

No clássico filme de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisséia no Espaço, vemos vislumbres de um futuro onde os computadores tomam as decisões sobre as prioridades da missão, com o computador da nave, HAL, afirmando: "Essa missão é importante demais para que eu permita que você a coloque em risco".


Inteligência em máquinas é algo que está aparecendo em nossos aparelhos, desde os telefones até os carros. A Intel prevê que haverá 152 milhões de carros conectados até 2020, gerando mais de 11 petabytes de dados todo ano - o suficiente para encher mais de 40.000 HDs de 250GB. E quão inteligentes eles serão? De acordo com a Intel, (quase) tanto quanto você. Os carros vão compartilhar e analisar uma gama de dados para tomar decisões a cada momento. É bem verdade que, na maioria dos casos, carros sem motorista tendem a ser mais seguros que os normais, mas o problema está nas exceções.


As famosas Três Leis da Robótica do escritor Isaac Asimov propuseram um jeito dos aparelhos do futuro lidarem com decisões em circunstâncias perigosas:


  • Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra qualquer mal.
  • Um robô deve obedecer as ordens dadas por um humano, exceto quando essas ordens conflitarem com a Primeira Lei.
  • Um robô deve proteger sua própria existência, contanto que essa proteção não conflite com a Primeira ou a Segunda Lei.


Ele até adicionou uma "Lei Zero", mais fundamental ainda, que precede todas as outras:


  • Um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal.

Asimov não falou do nosso dilema ético do acidente de carro, mas com mais sensores para coletar dados, mais fontes de onde extrair esses dados, e um maior poder de processamento, a decisão de agir se torna um ato frio de análise.

E, claro, softwares são notoriamente cheios de problemas. Que desastres poderiam ser provocados por agentes maliciosos que comprometam esses sistema? E o que acontece no momento em que a inteligência artificial tira o controle da humana? Será o correto a se fazer? Afinal, em 2001, Dave teve que tomar medidas drásticas após se encher das decisões de HAL:


Será que um comprador no futuro será capaz de comprar opções programáveis de ética para customizar seu carro? O equivalente IA daquele adesivo "Eu não breco por ninguém"? E caso positivo, como você saberia de que modo os carros vão agir - e você subiria em um se soubesse?

E então vêm os problemas jurídicos. E se um carro pudesse ter intervindo para salvar vidas mas não interviu? Ou então atropelou pessoas de propósito com base em seu cálculo ético? Nós temos essa responsabilidade enquanto humanos que dirigem carros, mas as máquinas seguem ordens, então quem (ou o quê) é responsável por uma decisão dessas? Como vemos com o avanço da tecnologia de reconhecimento facial em smartphones, monitores de aeroporto e até mesmo no Facebook, não é difícil para um computador identificar objetos, rapidamente calcular as consequências baseado na velocidade do carro e nas condições da estrada, traçar um grupo de resultados, escolher um e agir. E quando ele fizer isso, ele provavelmente não terá escolha.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Conversas de E-Mail Interceptadas dos Criadores Sugerem Que Um Modo "Massacre da Serra Elétrica" Pode Estar Em Desenvolvimento - Tecno-Segunda #35



A ideia começou como um projeto estudantil de graduação, mas pode acabar mudando a vida de inúmeros deficientes físicos pelo mundo.

Scalevo é como um híbrido de uma cadeira de rodas e um Segway. Ela é uma cadeira de duas rodas com a capacidade de subir escadas. Usando tecnologia giroscópica, parecida com a de um Segway no "modo equilíbrio", seu design a torna fácil de se girar enquanto parado e mudar de direção rapidamente. Em terreno plano, ela consegue alcançar 10km/h

No entanto, a função mais impressionante da cadeira Scalevo é a sua capacidade de subir e descer escadas que tenham ângulos entre 17 e 34 graus. Para realizar este feito, ela abaixa duas esteiras de lagartas e sobe as escadas de costas, enquanto mantém o usuário ereto o tempo todo. Apesar de isso não ser mostrado no vídeo, ela pode subir um degrau por segundo, e consegue até subir escadarias em espiral.

A cadeira foi desenvolvida por dez estudantes do Instituto Federal de Tecnologia da Suiça (ETH Zurique) e da Universidade de Artes de Zurique. O grupo é uma mistura de engenheiros e desenhistas industriais sob a direção dos Dres. Roland Siegwart e Roland Haas

Miro Voellmy, um estudante de engenharia mecânica na ETH Zurique, disse à Reuters, "A melhor parte é que tudo na cadeira é automático. Se eu quiser subir uma escada, é só ficar na frente dela, virar a cadeira, apertar um botão e controlar a velocidade. O alinhamento nas escadas, o nível do assento da cadeira, tudo é automático e está sob o controle do usuário. Ele pode até ver o caminho com uma câmera de ré e ter uma experiência de direção completa e segura."

Essa não é a primeira tecnologia do tipo. A Johnson & Johnson já criou uma cadeira de rodas que subia escadas, chamada iBot. No entanto, ela não fez sucesso e teve sua produção suspensa em 2009, após reclamações sobre ela ser muito cara.

Infelizmente, a cadeira Scalevo ainda não está disponível para comercialização, mas o grupo de estudantes que a desenvolveu estão pensando em criar uma campanha no Kickstarter para tornar o produto acessível a todos.


Fonte: IFLScience

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Episódio VII, Aí Vamos Nós! - Tecno-Segunda #34



Apesar de todo o progresso feito no campo da protética, incluindo algumas criações bem não-ortodoxas, os pobres desafortunados que perderam uma parte do corpo ainda são incapazes de reproduzir a sensação de toque em seus membros artificiais. Mas um novo e incrível estudo finalmente começou a tratar desse problema: eles criaram uma pele plástica que consegue "sentir", transmitindo informação sensorial para o cérebro como um sinal elétrico.

Acima: Não-ortodoxo
O pesquisador-chefe Zhenan Bao outrora passou uma década tentando desenvolver um material que imitasse a habilidade da pele de dobrar, se curar, sentir dor e detectar mudanças de pressão e temperatura no ambiente externo. Esta nova pesquisa conseguiu atingir um desses objetivos: essa pele artificial pioneira é capaz de detectar mudanças de pressão, ou seja, ela pode reproduzir a sensação de toque.

"Pela primeira vez, um material dérmico flexível foi capaz de detectar pressão e, ao mesmo tempo, transmitir um sinal para um componente do sistema nervoso," declarou Bao,

O plástico tem duas camadas diferentes, a superior contendo o sensor e a inferior funcionando como o circuito eletrônico que transmite sinais para o cérebro. Durante esse processo, os sinais elétricos são convertidos em estímulos bioquímicos compatíveis com as células nervosas.

A camada superior contém um sensor de pressão que tem o mesmo alcance da pele humana normal, ou seja, ela é capaz de diferenciar entre um toque suave e um cutucão. A camada é feita de um polímero plástico extremamente fino e flexível em formato de waffles, bastante sensível a qualquer compressão. Ao se medir a minúscula compressão molecular do plástico, pode-se fazer uma medida de pressão altamente precisa.

A matriz de waffles contém bilhões e bilhões de estruturas de carbono chamadas de nanotubos. Essas coisinhas incríveis, que não passam de um bilionésimo de metro, têm propriedades extraordinárias: elas são 15 vezes mais fortes que aço ou Kevlar e conduzem calor e eletricidade com 10 vezes mais eficiência que o cobre. Ao se comprimir os nanotubos dentro do plástico, eles encostam uns nos outros, conduzindo eletricidade. Esse sinal elétrico é enviado ao cérebro, com intensidade proporcional à quantidade de pressão sendo exercida sobre a pele.

Através das pesquisas do campo revolucionário da optogenética, os pesquisadores criaram neurônios modificados que respondem a frequências específicas de luz. Essas células foram alinhadas e conectadas para simular uma pequena parte do cérebro humano. Quando a pele detectava pressão, os nanotubos se tocavam e geravam um sinal elétrico com uma certa intensidade. O sinal era, então, convertido em pulsos de luz da mesma intensidade, que ativavam os neurônios.

Essa prova de conceito demonstra que a pele artificial é capaz de se comunicar, com sucesso, com um sistema nervoso humano, o que significa que um dia, um membro artificial pode ser capaz de produzir uma sensação genuína de toque para o usuário, não só uma imitação malfeita.

O próprio Bao reconhece que ainda há muito trabalho a fazer, mas, por enquanto, este é um avanço meteórico.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Isso Dá Um Novo Sentido A "Atingir a Iluminação" - Tecno-Segunda #33


A lâmpada de tungstênio cumpriu bem seu papel ao longo dos quase cem anos desde sua invenção, mas, com a vinda das luzes de LED, que consomem um décimo da energia e duram trinta vezes mais, seus dias estão contados. E os usos potenciais dos LEDs não são só para iluminar: começam a aparecer produtos de iluminação inteligente que oferecem várias novas funções, inclusive conectar seu notebook ou smartphone à internet. Chega para lá, Wi-Fi, a Li-Fi chegou.

Comunicação sem fio através da luz visível, na verdade, não é uma ideia nova. Todo mundo conhece a tática de usar sinais de fumaça para chamar a atenção de alguém que possa te resgatar de uma ilha deserta. Um pouco menos conhecido é o fato que, na época de napoleão, uma boa parte da Europa tinha telégrafos óticos, também conhecidos como semáforos.


Alexander Graham Bell, inventor do telefone, chegou a chamar o fotofone de sua invenção mais importante, um dispositivo que usava um espelho para transmitir a vibração da fala através de um facho de luz.

Da mesma forma que interromper (ou modular) uma coluna de fumaça pode quebrá-la em pedaços que transmitem uma mensagem de SOS em código Morse, a comunicação por luz visível - ou Li-Fi - modula rapidamente a intensidade de uma fonte luz para processar dados como os zeros e uns binários. Mas isso também não quer dizer que os transmissores Li-Fi vão ficar piscando; a modulação é rápida demais para o olho humano ver.

Wi-Fi vs Li-Fi


A demanda dos usuários por dados sem fio é enorme e continua a crescer, e isso gera uma pressão enorme na tecnologia Wi-Fi existente, que usa o espectro de ondas de rádio e microondas. Com o crescimento exponencial dos aparelhos móveis, até 2019, espera-se que dez bilhões de dispositivos vão trocar 35 quintilhões (35 seguido de 18 zeros) de bytes de informação por mês. Isso não será possível com a tecnologia wireless atual, devido ao congestionamento das bandas e à interferência eletromagnética. Esse é um problema especialmente presente em espaços públicos de zonas urbanas, onde muitos usuários tentam compartilhar a capacidade limitada dos transmissores Wi-Fi ou das torres de rede das operadoras de celular.

Um princípio fundamental da comunicação é que a transferência máxima possível de dados aumenta com a largura da banda da frequência eletromagnética disponível. O espectro da frequência de rádio é amplamente usado e regulamentado, e simplesmente não há espaço vago suficiente para atender o aumento da demanda. Então, a Li-Fi tem potencial para substituir a Wi-Fi de frequência de rádio e microondas.


O espectro da luz visível tem uma capacidade gigantesca para a comunicação que ainda não é usada ou regulamentada. A luz de uma lâmpada LED pode ser moduladas muito rapidamente: as taxas de dados podem chegar a 3.5Gb/s com um único LED azul ou 1.7Gb/s com um branco, como demonstrado pelos pesquisadores do nosso programa Ultra-Parallel Visible Light Communications [Comunicações por Luz Visível Ultra-Paralela], financiado pelo Conselho de Pesquisa em Engenharia e Ciências Físicas (EPRSC).

Diferente dos transmissores Wi-Fi, as comunicações óticas ficam muito bem presas entre as paredes de um cômodo. Esse confinamento pode parecer uma limitação, mas oferece a grande vantagem de ser muito segura: se as cortinas estiverem fechadas, ninguém fora da sala pode interceptar a informação. Uma rede de fontes de luz no teto podem mandar sinais diferentes para usuários diferentes. A força do transmissor pode ser localizada, mais eficiente e sem interferir com fontes de Li-Fi adjacentes. De fato, a ausência da interferência nas frequências de rádio é outra vantagem sobre o Wi-Fi. Comunicação por luz visível é segura por definição e pode até acabar com a necessidade de se ativar o Modo de Avião quando se vai viajar.

Outra vantagem ainda da Li-Fi é que ela pode usar a mesma fiação elétrica que as luzes de LED, então não é necessária nenhuma nova infraestrutura.


Aliviando a Internet das Coisas


A internet das coisas é uma visão ambiciosa de um mundo hiper-conectado de objetos se comunicando autonomamente entre si. Por exemplo, sua geladeira pode informar seu smartphone que o leite acabou, ou até pedi-lo para você. Sensores no seu carro vão te alertar diretamente, através do smartphone, que seus pneus estão muito gastos ou murchos.

Dado o número de "coisas" que podem ser equipadas com sensores e controles e depois conectados à rede, a banda necessária para que todos esses aparelhos se comuniquem é gigantesca. O Grupo Gartner, que monitora a indústria, prevê que 25 bilhões de dispositivos assim serão conectados até 2020, mas já que a maior parte dessas informações só precisa ser transmitida a curtas distâncias, a Li-Fi é uma solução atraente, e possivelmente a única capaz de tornar isso realidade.

Várias empresas já estão oferecendo produtos para comunicação de luz visível. O Li-1st, da PureLiFi de Edimburgo, oferece uma solução plug-and-play simples para acesso seguro à internet com uma capacidade de transmissão de 11.5 Mbps, um valor comparável à Wi-Fi de primeira geração. Outra empresa é a francesa Oledcomm, que explora a natureza segura e diferente do rádio da Li-Fi com instalações em hospitais.

Ainda há vários desafios tecnológicos pela frente, mas os primeiros passos já foram dados para tornar a Li-Fi realidade. No futuro, o seu interruptor vai ligar bem mais do que só a luz do quarto.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Amarre Dois Em Uma Bola Preta E Você Estará Pronto Para O Episódio VII - Tecno-Segunda #32


Um motor de íons que oblitera o atual recorde de eficiência de combustível foi registrado para uma patente de inovação. O inventor Patrick Neumann disse ao jornal estudantil Honi Soit, da Universidade de Sydney, que o motor era capaz de "ir e voltar de Marte sem reabastecer", mas o seu primeiro uso pode acabar sendo a alteração da rota de redes de pequenos satélites ao redor da órbita da Terra.

Neumann diz que a ideia do motor de íons ocorreu quando ele estava no terceiro ano e ajudando um estudante de pós-doutorado, como parte de um programa de integração que colocava bacharelandos em contato com pesquisa de verdade. Neumann mediu a velocidade de íons de titânio liberados em um pulso elétrico, como o que se usa em um soldador de arco. "O titânio estava saindo a 20 quilômetros por segundo, e eu pensei 'dá para usar isso como propulsão'", disse ele ao IFLScience. Em pesquisas posteriores, Neumann descobriu que seu palpite estava certo e testou a viabilidade de um total de onze materiais.


Os resultados foram incríveis. Uma das medidas da eficiência de um sistema de propulsão é o impulso específico, coloquialmente chamado de "bounce per ounce" [Algo como força por quilo], e medido em segundos. O recorde atual é do Propulsor Elétrico de Alta Potência (HiPeP, na sigla em inglês) da NASA, com 9.600 segundos, mas, alimentado com magnésio, o motor de Neumann conseguiu em torno de 14.600 segundos de impulso específico. Disse ele que "outros metais têm uma eficiência menor, mas geram mais propulsão. Ou seja, seria necessário mais combustível para chegar a Mater, mas chegaríamos lá mais rápido."


Neumann diz que combustíveis metálicos têm suas vantagens, fora a eficiência. O HiPeP usa xenônio, que, de acordo com ele, "é difícil de se encontrar fora da Terra". O magnésio pode ser encontrado na forma de olivina em asteróides, mas Neumann conseguiu resultados promissores com titânio, alumínio e outros metais amplamente usados. Espaçonaves usando esse motor seriam capazes de conseguir combustível extra a partir de satélites desativados, criando, ao mesmo tempo, uma solução para o problema do lixo espacial.

Propulsores de íon, como os que levaram a sonda Dawn a Ceres, só podem ser usados no vácuo, e Neumann diz que até decolar da Lua ou de asteróides maiores vai continuar sendo um trabalho para foguetes. Entretanto, diz ele que seu motor pode ser usado para decolar uma nave de objetos com baixa gravidade, tais quais as luas de Marte, Fobos e Deimos.

"Nós fizemos cálculos muito rudimentares e muito adiantados, mas achamos que 20 quilogramas de magnésio poderiam levar uma nave de 100 quilogramas até Marte e de volta novamente. Levaria de três a cinco anos e temos que considerar uma margem de peso para a nave, os paineis solares e o sistema de comunicação, mas achamos que teria que haver mais uns 20 quilos para compensar a carga", disse Neumann ao IFLScience. "Com um combustível de maior propulsão no Motor de Neumann, seria possível fazer a viagem em algo entre nove e onze meses, mas o tanque estaria vazio quando a nave chegasse lá". Nesse segundo caso, uma viagem de retorno dependeria ou da extração local de materiais ou da existência de depósitos de combustível na órbita de Marte ou de uma estação de abastecimento em Fobos ou Deimos, estabelecida antes da viagem.

Neumann diz que os experimentos com pulsos elétricos em metais datam da década de 1920, e que alguns dos dados coletados foram muito uteis para ele para definir que materiais testar. Essa pesquisa foi feita com menos da metade da intensidade de corrente que ele utiliza, e ninguém antes tinha pensado em usar pulsos elétricos de alta corrente para gerar propulsão.

Fonte: IFLScience
Imagens: IFLScience, jrbassett.com

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A Edição de Colecionador Vem Com O Espanador - Tecno-Segunda #31


A ideia de um servo robótico é bem mais velha do que você deve imaginar. Ela vem de bem antes da icônica série animada dos anos 60, Os Jetsons, onde a robô Rosie era capaz de cozinhar, limpar a casa e resolver problemas inesperados. Já no século III AC, o cientista grego Philo de Bizâncio construiu uma icônica empregada-robô humanoide que conseguia servir vinho quando uma taça era colocada em sua mão.


Hoje em dia, podemos ver robôs aspiradores de pó, robôs quadrúpedes que levam cargas pesadas e até robôs que gerenciam hotéis. Mas, como cientistas, nós estamos sempre mirando no futuro. Todos sonhamos com máquinas inteligentes que poderiam nos ajudar com as tarefas chatas do dia a dia. Afinal, quem gosta de ter que limpar a casa, lavar louça ou roupa suja? Como membros de um projeto europeu chamado CloPeMa, meus colegas e eu temos tentado realizar o sonho de um robô doméstico desenvolvendo uma máquina capaz de entender e manipular roupas.

Manusear peças de roupa sem destruí-las é algo que todos fazemos sem esforço nem pensamento consciente. Mas isso é algo bem mais difícil para um robô, já que tecido é algo deformável e flexível, que muda de estado desde o momento que se encosta nele.


Nós não tomamos consciência da quantidade absurda de destreza e tato necessária para dobrar uma peça de roupa. Tente se imaginar dobrando uma toalha sem saber como é sua aparência ou sua textura, enquanto usa gesso nos braços. Isso já seria um desafio enorme para nós, humanos. Imagine para um robô controlado por um computador.

O objetivo do projeto CloPeMa era desenvolver algoritmos de computador que permitissem que um robô percebesse e compreendesse artigos de roupa, para ser capaz de organizá-los e alisá-los. Começamos com um robô industrial de dois braços e demos a ele um par de olhos robóticos móveis desenvolvidos pela equipe de visão e computação gráfica da Universidade de Glasgow, o que permitiu que ele enxergasse as roupas e a área de trabalho em três dimensões. A partir disso, o robô é capaz de olhar para sua área de trabalho e detectar formas, superfícies e arestas de modo a entender o que está na sua frente.


Nós então programamos o robô para usar essas observações visuais para criar um modelo de computador da roupa, incluindo seu tamanho, tipo de material e a presença ou não de rugas. Ele também é capaz de diferenciar entre categorias de roupas, como jeans, camisas, suéteres e camisetas. Suas mãos (ou pinças, no caso) são, então, capazes de usar a destreza necessária para pegar, alisar, dobrar e desdobrar as roupas.

O problema é o poder de computação e o tempo necessários para transformar a informação percebida em ações. Separar as roupas demora quatro minutos por peça, dobrar uma camiseta requer cinco minutos, e alisar uma toalha quadrada pode demorar até 15. É visível que os usos comerciais e industriais do CloPeMa ainda está longe de chegar. Ainda falta muito para o dia em que todos teremos um desses em casa.



No entanto, a equipe do CloPeMa não está sozinha, e pesquisadores ao redor do mundo vêm progredindo consideravelmente na tarefa de criar um robô lavador de roupas. Por exemplo, o PR2, da Universidade de Berkeley, Califórnia, é capaz de realizar várias tarefas com artigos de vestuário, como dobrar e desdobrar toalhas e juntar pares de meias. A pesquisa está avançando com uma velocidade tal que, dentro de alguns anos, veremos robôs capazes de executar várias tarefas.

E embora tendamos a pensar em robôs como máquinas antropomórficas, na verdade nós já temos alguns robôs em casa, como eletrodomésticos linha branca "inteligentes". Por exemplo, máquinas de lavar que alteram seu ciclo de lavagem dependendo do tipo da roupa ou destilarias domésticas automatizadas de cerveja (quase que uma versão moderna da empregada robótica de Philo).

O sonho continua, claro, sendo ter robôs inteligentes o bastante para podermos simplesmente dar uma ordem e vê-los executar as tarefas de casa sem supervisão humana.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

SSD É Para Os Fracos - Tecno-Segunda #30


Nós inevitavelmente imaginamos aparelhos eletrônicos feitos de chips de silício, com os quais os computadores armazenam e processam informações na forma de dígitos binários (zeros e uns) representados por pequenas correntes elétricas. Mas não precisa ser assim: entre as alternativas para o silício estão os meios de armazenagem orgânicos, como o DNA.

A computação por DNA foi demonstrada pela primeira vez em 1994 por Leonard Adleman, que transcreveu e resolveu o "problema do caixeiro viajante", um problema matemático onde se precisa encontrar a rota mais eficiente para um caixeiro visitar várias cidades hipoteticas, somente usando DNA.

O ácido desoxirribonucleico é capaz de armazenar enormes quantidades de informação transcrita em sequências de moléculas chamadas nucleotídeos: adenina (A), timina (T), guanina (G) e citosina (C). A complexidade e a enorme variedade dos códigos genéticos de espécies diferentes demonstram a quantidade de informação que pode ser armazenada em DNA através das CGAT, e é possível usar essa capacidade para a computação. Moléculas de DNA podem ser usadas para processar informação, usando um processo de fusão entre pares de DNA chamado de hibridização. Esse processo pega cadeias únicas de DNA e as transforma em cadeias diferentes.

Desde o experimento de Adleman, muitos "circuitos" baseados em DNA foram propostos, implementando métodos computacionais como lógica Booleana, fórmulas aritméticas e computação por rede neural. Batizado de programação molecular, esse método aplica conceitos e desenhos tradicionais da computação à escala nanométrica ideal para se lidar com o DNA.


Nesse sentido, a "programação" acaba sendo bioquímica. Os "programas" criados, na verdade, são métodos de seleção de moléculas que interagem de um modo que gere o resultado desejado, através do processo de auto-montagem do DNA, no qual grupos desorganizados de moléculas interagem espontaneamente para formar a cadeia de DNA desejada.

"Robôs" de DNA


O DNA também pode ser usado para controlar movimento, o que gera a possibilidade de aparelhos nano-mecânicos baseados nele. Isso foi feito pela primeira vez por Bernard Yurke e sua equipe no ano 2000. Eles conseguiram criar um par de pinças de cadeias de DNA que conseguiam agarrar e soltar. Experimentos posteriores, como o feito pela equipe de Shelley Wickham em 2011 e no laboratório de Andrey Turberfield em Oxford, demonstraram máquinas móveis nano-moleculares feitas completamente de DNA e que podiam viajar por caminhos pré-definidos.

Através disso, poderíamos ter um nanorrobô de DNA seguindo determinadas trilhas, tomando decisões, e sinalizando assim que chegasse ao fim dela, o que indicaria que a computação foi finalizada. Do mesmo jeito que circuitos eletrônicos são impressos em placas, moléculas de DNA poderiam ser usadas para imprimir trilhas similares organizadas em árvores de decisão lógica em uma placa de DNA, com enzimas controlando a tomada de decisões ao longo da árvore, fazendo o robô tomar um caminho ou outro.

Andadores de DNA também podem carregar cargas moleculares, portanto poderiam ser usados para administrar medicamentos dentro do corpo.

Por Que Computação Por DNA?


Algumas das várias características interessantes das moléculas de DNA são o seu tamanho (2 nanômetros de espessura), programabilidade e alta capacidade de armazenagem - muito maior que a das suas equivalentes de silício. O DNA também é versátil, barato e fácil de ser sintetizado, fora que a computação com DNA requer muito menos energia que os processadores elétricos de silício.

Seu ponto negativo é a velocidade: atualmente, são necessárias várias horas para computar a raiz quadrada de um número de quatro algarismos, coisa que um computador tradicional faz em um centésimo de segundo. Outra desvantagem é que circuitos de DNA são descartáveis, e precisam ser recriados para refazer a mesma computação.

O que talvez seja a maior vantagem do DNA sobre os circuitos eletrônicos é que ele pode interagir com seu ambiente bioquímico. A computação com moléculas envolve reconhecer a presença ou ausência de certas moléculas, portanto uma aplicação lógica da computação por DNA é levar a programabilidade para o reino dos biosensores ambientais, ou ao da administração de medicamentos e tratamentos dentro de organismos vivos.



Programas de DNA já começaram a ser usados no campo da medicina, como em diagnósticos de tuberculose. Outro uso proposto é o de um "programa" nano-biológico, idealizado por Ehud Shapiro do Instituto Weizmann de Ciências em Israel, chamado de "médico na célula", feito para destruir moléculas cancerosas. Outros programas com aplicação médica miram nos linfócitos (um tipo de célula branca), que são definidos pela presença ou ausência de certos marcadores celulares, portanto podem ser detectadas naturalmente com a lógica Booleana de verdadeiro ou falto. Entretanto, mais esforços serão necessários antes de podermos injetar medicamentos inteligentes diretamente em organismos vivos.

O Futuro da Computação por DNA


Como um conceito geral, a computação por DNA tem um potencial enorme para o futuro. A sua capacidade de armazenamento gigantesca, custo baixo de energia, facilidade de manufatura explorando o poder da auto-montagem e a sua fácil afinidade com o mundo natural são uma porta de entrada para a computação em nano-escala, talvez até através de projetos que mesclem componentes eletrônicos e moleculares. Desde a sua criação, a tecnologia tem progredido rapidamente, fornecendo diagnósticos em ponto-de-cuidado e medicamentos inteligentes provas-de-conceito - que são aqueles capazes de tomar decisões diagnósticas quanto ao tipo de tratamento a administrar.

Claro que há muitos desafios a serem vencidos para que a tecnologia possa avançar das provas-de-conceito para drogas inteligentes verdadeiras: a confiabilidade dos andadores de DNA, a robustez da auto-montagem e a melhoria da administração dos medicamentos. Mas há um século de pesquisa na ciência da computação tradicional pronta para ajudar no desenvolvimento da computação por DNA através de novas linguagens de programação, abstrações e técnicas de verificação formal - aquelas que já conseguiram revolucionar o desenho dos circuitos de silício e que podem ajudar a impelir a computação orgânica no mesmo caminho.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Empresa Acerta Visual Que Carros Têm Que Ter No Futuro... E Ele Anda Só Com Energia Solar, Também | Tecno-Segunda #29


Seria possível um carro comercial ser totalmente movido pelo Sol? Uma empresa acha que sim, e eles planejam revelar uma versão reduzida de sua ideia ainda este ano.

Chamado de "O Immortus", o veículo para duas pessoas foi concebido pela EVX Ventures, uma startup de tecnologia para veículos elétricos de Melbourne, Austrália. O carro é recoberto de painéis solares, com uma área total de oito metros quadrados, e também tem uma bateria de lítio para armazenar energia, com capacidade de cinco a dez kilowatts/hora. O carro é tão leve, pesando 500kg vazio e 700kg totalmente ocupado, que é capaz de rodar só com a energia solar.

Isso é possível graças à baixa taxa de conversão massa-para-energia do carro. Ele também é extremamente aerodinâmico e tem um visual "estiloso e convidativo", de acordo com o que o co-fundador e CEO Barry Nguyen disse para o IFLScience. O carro não usa pneus normais, e sim um modelo desenhado especialmente para os "corredores solares" - carros movidos pelo Sol.

Combinando a bateria e a energia solar, o carro deve ser capaz de atingir velocidades máximas de 160km/h. Usando só a energia solar, ele consegue chegar a 80km/h.

E, talvez o mais interessante da história, Nguyen disse que o carro deve ser capaz de rodar para sempre só com a energia dos painéis. Em teoria, o carro tem autonomia infinita, contanto que a velocidade não ultrapasse 60km/h e o Sol esteja sempre brilhando. Mesmo assim, é um feito impressionante. Nguyen, no entanto, fez questão de afirmar que a ideia dessa tecnologia é unir as células solares com os veículos atuais.

"Nós vemos as células solares como extensores da autonomia automotiva do dia-a-dia, não como uma fonte de energia que capta mais do que gasta", dele disse "Entretanto, neste caso, a autonomia dele é infinita enquanto houver luz solar constante e uma velocidade máxima de 60km/h".


A EVX planeja revelar um modelo escala 4:1 de seu veículo no SEMA Show 2015, que vai acontecer no Centro de Convenções de Las Vegas em Novembro. Uma equipe pioneira de pesquisa e desenvolvimento de veículos elétricos da Universidade de Tecnologia de Swinburne em Melbourne também faz parte do projeto.

Quando o carro eventualmente for lançado, Nguyen disse que ele deve custar por volta de $370.000 dólares, e ele não espera vender mais do que 100 exemplares. Ele vai ser legalizado para as ruas "sob uma legislação criada sob medida" na Austrália e nos Estados Unidos.

A equipe planeja testar um modelo em tamanho real do carro até o fim de 2016, caso consigam dinheiro o suficiente para construir um protótipo.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Impressora 3D de Vidro Ameaça Vendedores de Quinquilharias - Tecno-Segunda #28


O copo está meio vazio ou meio cheio? Ele foi feito numa impressora, então quem liga?! Um criativo grupo de cientistas recentemente imprimiu criações de vidro realmente espetaculares.

As esculturas de vidro foram criados por um grupo chamado Mediated Matter, sob o comando de Neri Oxman do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A cor e a transparência do vidro podem ser controladas, assim como o padrão de reflexo e refração de luz e outras propriedades.

O equipamento usado para criar as obras primas como a que se vê abaixo é altamente especializado. Ele é feito, principalmente, de duas peças: a primeira é um forno onde o vidro derretido é despejado e mantido a cálidos 1000ºC, e o outro é a câmara de impressão logo embaixo, que funciona como um bocal que derrama o vidro derretido em uma superfície. O vidro esfria rápido o bastante para manter sua integridade estrutural sem precisar de moldes. O movimento da impressora é bem parecido com o de outras impressoras 3D que usam materiais diferentes.
Imgur GIF
Cada camada de vidro impresso tem aproximadamente 4.5 milímetros de altura e 7.95 milímetros de largura. Já que o vidro ainda está macio depois de ser depositado, a estrutura ainda se mexe um pouco antes que ele consiga esfriar. De acordo com a revista 3D Printing and Additive Manufacturing, "o desvio dos centros do filamento da linha-guia foi de 0.18 milímetros". Isso vai ter que ser levado em conta quando estiverem inventando novos objetos de vidro.

Quando a escultura é finalizada, o fluxo de filamento tem que ser cortado. Mas isso é fácil de fazer; é só soprar um pouco de ar comprimido para esfriar o bico ejetor e cortar o fluxo de vidro derretido.

Veja o vídeo abaixo para aprender mais sobre o funcionamento da impressora.


Fonte: IFLScience

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

01000101 01110011 01110100 11000011 10100001 00100000 01110110 01101001 01110110 01101111 00100001 - Tecno-Segunda #27



Um robô sozinho em um laboratório ganhou alguns blocos mecanizados para brincar. À primeira vista, imaginar-se-ía que ele os construiria como um robô de linha de produção, mas a realidade é bem mais interessante: o robô aprende algo novo com cada tentativa. Conforme cada geração passa, os mini-robôs que ele cria também evoluem.

Isso não é um conto de ficção científica - a pesquisa foi realizada recentemente na Universidade de Cambridge. Quem se interessar pode ler mais a respeito e conferir alguns dos modelos mais e menos eficazes no site PLoS One.

O experimento é simples: O braço robótico recebe um grupo de blocos com motores dentro e que ele pode juntar de qualquer jeito que quiser. A pequena criação, então, começa se mexer e tenta andar pela superfície de uma mesa. A "mãe" robô observa seu progresso com olhos (câmeras) diligentes, medindo sua eficiência baseado na distância que o bebê-robô percorre em um determinado tempo.

Eventualmente, as baterias do bebê vão acabar, e o trabalho do braço robótico é o de olhar, aprender e adaptar para que o próximo modelo que ele criar ande um pouco mais longe. O braço repete esse processo sem nenhuma intervenção humana. A cada geração que se passa, os traços benéficos são passados para a frente. Os bebês-robôs mais aptos continuavam iguais na geração seguinte, enquanto que os menos aptos sofriam mutações e alterações.

Vendo o vídeo, existe alguma coisa de desconfortável, fora da realidade humana, no jeito que a "mãe" assiste, estóica, sua criação se sacudindo pela mesa.

E não resta dúvida que o braço robótico melhorou suas criações com o tempo. Foram realizados um total de cinco experimentos, cada um com dez gerações de dez bebês-robôs cada (um total de 100 por experimento). Os robôs da décima geração tinham uma velocidade média de mais do dobro da velocidade da primeira geração.

"A seleção natural se resume a reprodução, seleção, reprodução, seleção e assim por diante", explicou o chefe da equipe, Dr. Fumiya Iida da Universidade de Cambridge. "É basicamente isso que esse robô está fazendo - é possível ver a melhora e a diversificação das espécies."

Apesar de não haver DNA envolvido, esse projeto ainda é relevante para a evolução. "Uma das grandes perguntas da biologia é como a inteligência se formou - e agora estamos usando a robótica para explorar esse mistério", disse Iida. "Para nós, robôs são para fazer tarefas repetitivas, e eles costumam ser desenhados para produção em massa ao invés de customização em massa, mas nós queremos ver robôs capazes de inovação e criatividade."

Claro que isso não sugere o início do apocalipse robótico, mas robôs com dons criativos e a capacidade de melhorar seus pares pode causar inquietação em algumas pessoas. No entanto, essa liberdade artística pode abrir um novo mundo em muitas áreas. Os robôs podem ser a nova era do controle de qualidade, detectando e consertando defeitos em produtos ao mesmo tempo. Eles podem até ser usados no próprio processo de criação, juntando peças de jeitos que nunca poderíamos imaginar.

Abaixo, você pode ver um clipe do robô criando e testando seus bebês:


Fonte: IFLScience
Para entender o título

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Eu Gosto de Trens - Tecno-Segunda #26


A cada dia que se passa, a população mundial se torna mais urbanizada, e estima-se que o número de jornadas medidas em passageiros por quilômetro vá triplicar até 2050. Um aumento desses simplesmente não pode ser absorvido pelas estradas.

Ferrovias, com sua capacidade de levar mais pessoas mais rápido e com mais eficiência, são a melhor aposta para a nossa nova espinha dorsal de transporte. E, claro, as imaginações férteis dos engenheiros já criaram muitas alternativas ao padrão "metal no metal" das ferrovias. Trens maglev e o amplamente divulgado mas até então teórico Hyperloop são os que se considera mais promissores - mas será que eles realmente representam o futuro do sistema ferroviário?

Maglev



A levitação magnética (ou maglev) usa poderosos imãs para impelir o trem ao longo de uma linha dedicada que deve ser tão reta quanto possível. A força de atração entre eletroimãs controlados eletronicamente dentro do veículo e a linha-guia ferromagnética puxa o trem para cima enquanto outro grupo de imãs o impedem de sair pelas laterais da linha. Essa versão da tecnologia foi desenvolvida na Alemanha e, no momento, é usada para ligar o aeroporto de Xangai com o centro da cidade com trens que chegam a 430 km/h.

Apesar disso, o país mais associado ao maglev é o Japão. Eles, que iniciaram a era moderna dos trens-bala também estão tentando definir seu próximo capítulo. Levitação magnética supercondutora (SCMaglev) já vem sendo desenvolvida há décadas, mas recentemente foi aprovada para construção na linha entre Tóquio e Osaka até 2027, sendo capaz de completar a jornada de 500km em pouco mais de uma hora. Diferente do sistema Transrapid em Xangai, o princípio maglev japonês usa imãs "supercondutores" mais fortes e um design de condução baseado em forças repulsoras ao invés de atrativas.

Mas embora o maglev seja tecnicamente possível, sua viabilidade comercial é questionável. O custo inicial de infraestrutura é muito alto - a linha SCMaglev japonesa deve custar $9 trilhões de ienes ($72 bilhões de dólares). Ela também não pode ser integrada a sistemas préexistentes e tem um custo energético astronômico, tanto durante a construção como durante a operação. Isso gera uma dúvida considerável quanto ao potencial verdadeiro do maglev como uma alternativa à tecnologia convencional de transporte em alta velocidade.

Hyperloop



O Hyperloop é uma ideia elegante: viajar com perfeito conforto a velocidades de 1,220km/h (isso mesmo, pouco menos que a velocidade do som) em cápsulas elegantes que podem chegar até uma vez a cada trinta segundos é uma ideia muito atraente. O conceito se baseia em tubos bem retos com um vácuo parcial aplicado sob as cápsulas. As cápsulas, por sua vez, tem um compressor elétrico no nariz que transfere o ar altamente pressurizado da proa para a popa, criando um bolsão de ar que impele a capsula assim que ela for posta em movimento por um motor elétrico linear. E tudo isso alimentado por baterias e energia solar.

Do ponto de vista técnico, é um desafio. Mas, se existe alguém capaz de vencê-lo é justamente o homem que teve a ideia, Elon Musk, a mente por trás da SpaceX e da Tesla. Entretanto, o Hyperloop não é uma ferrovia. Nas palavras de Musk, é um quinto meio de transporte (depois dos trens, carros, barcos e aviões). O projeto atual liga Los Angeles a São Francisco, cidades que ficam a centenas de milhas uma da outra mas que podem ser ligadas quase em linha reta sobre uma superfície quase que inteiramente plana. E isso não serve para grande parte do mundo.

No final de tudo, se o Hyperloop acontecer, vai ser um sistema próprio, não um substituto para os trens.

O que mais?


Na prática, a grande maioria de nós vai continuar a viajar em trens não muito diferentes dos de hoje em dia. O Reino Unido está para receber a entrega de 122 trens que farão a maior parte do transporte intermunicipal de passageiros nas próximas décadas. Eles ainda podem estar funcionando em 2050, depois, claro, de várias reformas.

Um nivel maior de automação deve se espalhar não só nas ferrovias como em todo tipo de viagem. Trens operados automaticamente já são usados em alguns sistemas urbanos, permitindo uma menor distância entre trens na mesma linha. Espera-se que o futuro todos os trens de grandes linhas sejam capazes de se comunicar uns com os outros, o que permitiria uma quantidade de trens muito maior, aumentando a qualidade e a quantidade do serviço. Por consequência, sinalizações físicas ao longo das linhas se tornariam redundantes, permitindo uma disposição mais simples para novos trilhos. Um melhor uso de energia em ferrovias elétricas intermunicipais também devem ter um papel importante. Por exemplo, sistemas de armazenamento de energia e estações avançadas de distribuição vão deixar os sistemas ferroviários mais inteligentes.

Planos para o futuro ainda precisam ser feitos com cuidado, mas os investimentos em ferrovias de última geração pelo mundo ainda são, em grande parte, baseados no princípio "metal no metal". E não há razão para duvidar que ele vai definir o futuro do transporte ferroviário nas próximas décadas, do mesmo jeito que tem feito desde a criação dos trilhos de trem 200 anos atrás.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Japoneses Continuam Tendo A Resposta Para Tudo - Tecno-Segunda #25



Cientistas de materiais descobriram um modo de aplicar a milenar arte do kirigami - a construção de estruturas complexas cortando e dobrando papel - ao grafeno, o material-maravilha. O experimento demonstra que ondas em uma folha de grafeno podem aumentar a resistência de dobra do material muito mais do que deveria - uma descoberta que pode levar à criação de novos tipos de sensores, eletrodos esticáveis ou ferramentas para nanorrobótica.

O grafeno é feito de uma única camada de grafite, um mineral natural que possui uma estrutura em camadas. O material, produzido pela primeira vez em laboratório em 2003, tem propriedades elétricas, térmicas e mecânicas impressionantes, o que lhe dá potencial para ser usado em diversas áreas, desde novos aparelhos eletrônicos até aditivos em tintas e plásticos.

O promissor material é feito de átomos de carbono montados em séries de hexágonos interconectados. Ele é feito separando as camadas do grafite no que os cientistas chamam de método "cima-baixo" (onde se pega algo grande e se diminui). Isso pode ser feito com fita adesiva, reagentes químicos ou mesmo com força bruta, tipo as geradas em uma batedeira ou processador de cozinha. Apesar de soar bem simples, não é um jeito viável de se criar folhas grandes de grafeno.

Para esse fim, é necessário um método "baixo-cima", onde o grafeno é montado com a decomposição de uma molécula com carbono na estrutura, como o gás metano, sobre uma superfície quente de metal, geralmente cobre. Essa é a técnica que os pesquisadores desse novo estudo usado para produzir uma folha de grafeno que pode ser manipulada com uma versão do kirigami.


Arte e Ciência


O Kirigami (Kiri = cortar, gami = papel) é uma forma de origami (ori = dobrar) que vem sendo praticada há séculos na produção de padrões e formas lindamente complexos. Muitos de nós devem ter experimentado essas técnicas na infância, fazendo bonecos de mãos dadas com papel dobrado.

Os pesquisadores usaram placas de ouro como "cabos" para amassar uma folha de grafeno como papel, um processo facilmente reversível. Como o papel, o grafeno se dobra e se amassa, mas não estica.


Através de uma técnica de medida sofisticada, onde um laser infravermelho é usado para aplicar pressão sobre a placa de ouro no grafeno, é possível medir a deformação da folha. Amassar o grafeno aumenta suas propriedades mecânicas, do mesmo jeito que uma folha de papel amassada é mais rígida que uma lisa.

Na verdade, foram essas semelhanças mecânicas que permitiram que os pesquisadores traduzissem as ideias diretamente do modelo de papel para o grafeno. Usando a fotolitografia, uma técnica de transferência de formas geométricas de um molde para uma superfície, a equipe mostrou que é possível criar várias molas, dobradiças e até transistores de grafeno que podem ser esticados.

Robótica de Controle Remoto?


A pesquisa abriu as portas para a manipulação de folhas bidimensionais de grafeno para criar novas estruturas matérias com partes móveis. Transistores flexíveis são uma ideia extremamente interessante, já que cada dia há mais demanda por eletrônicos flexíveis.

Quando se estica um material, o normal é que sua resistência elétrica mude. No caso dos transistores flexíveis criados no estudo, uma mola de grafeno é colocada entre uma fonte de energia e um eletrodo de drenagem. Quando esticada a duas vezes o tamanho original, nenhuma mudança visível ocorreu nas propriedades elétricas. Esticar e contrair repetidamente a mola também não gerou nenhum efeito.


A habilidade de manter a propriedade elétrica do grafeno vem de sua estrutura molecular, que quase não se altera quando a mola é esticada. Foi até possível levar os aparelhos de kirigami para o próximo nível ao mexer e dobrar o grafeno sem contato direto. Por exemplo, ao substituir as placas de ouro com um material ferromagnético, como o ferro, foi possível manipular as folhas com um campo magnético, assim criando movimentos complexos como torções. Essa técnica pode ser usada para criar dispositivos que respondem a luz, temperatura ou magnetismo.

O conceito de se manipular materiais bidimensionais para gerar estruturas complexas nas escalas macro, micro e nano é muito empolgante. Ser capaz de criar novos metamateriais, concebidos para ter propriedades que não se costuma encontrar na natureza, abriria caminho para muitos tipos novos de ferramentas. Dentre eles, novos sensores, eletrodos para uso em robótica ou mesmo nanomanipuladores, pequenas máquinas que podem mover objetos com precisão nanométrica.

Eletrodos flexíveis permitiriam aparelhos eletrônicos altamente moldáveis e sensores que poderiam ser incorporados a pele e carne sintética, como em robôs ou membros artificiais, sem sacrificar sua funcionalidade. Dá até para imaginá-los sendo usados em roupas inteligentes que monitorem o estado de uma pessoa em tempo real - o ápice da saúde pessoal.

Fonte: IFLScience

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Próteses de Lego Customizáveis - As Crianças Vão Adorar! (As Crianças, Ahã...) - Tecno-Segunda #24



Imagine poder encaixar uma broca de escavação ou uma nave de Star Wars no seu braço. Com a nova série de designs para próteses da Lego, isso pode logo se tornar uma realidade para crianças com próteses nos braços.

Este é o Sistema Protético Criativo Iko, o projeto premiado do designer colombiano Carlos Arturo Torres, que criou esse sistema tecnológico para crianças com próteses. Elas serão capazes de customizar seus braços com a mesma facilidade com que brincam com os coloridos blocos de montar.

A tecnologia protética foi concebida em parceria com o Future Lab, o departamento de pesquisa experimental da Lego, e a empresa colombiana de reabilitação física Cirec.

Usando sensores para detectar movimento muscular no coto, um sinal é enviado para mover o braço robótico. Junte isso com um processador na prótese e uma engine da linha de robótica da lego, a Mindstorms, e o usuário se torna capaz de criar, programar e customizar seu próprio membro.

"O que eu queria não era fazer uma prótese tradicional," explicou Torres ao The Guardian, "mas propôr um sistema que fosse flexível o bastante para que as crianças usassem, mudassem e criassem sozinhas e com os amigos."

Torres imagina outros fabricantes começando a fazer membros melhorados para ferramentas úteis capazes de interagir entre si. "Imagine a Marvel criando módulos de super-heróis," diz ele. "Ou a Mattel fazendo casas de boneca e lançadores de carrinhos, ou a GE fazendo microscópios ou a Nintendo fazendo acessórios que interajam com os consoles."

Combinar brincadeiras criativas com tecnologia colaborativa pode muito bem ser mais uma pedra na alicerce do mundo interativo do futuro.



Fonte: IFLScience