quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Que Tal Parar Com Essa Frescura De Colocar Barbatana De Tubarão Na Sopa? - Quarta Científica #29


Se você soubesse que a chance de ser comido por um tubarão era de 0%, você nadaria com mais frequência? Perguntas retóricas à parte, o medo de ser comido tem uma influência profunda também nos outros animais, e no jeito como eles usam o ambiente marinho.

As tartarugas, por exemplo, têm medo de serem comidas por tubarões, e isso restringe o movimento e o comportamento de populações inteiras. Mas, quando esse medo some, podemos ver que as tartarugas comem mais, se reproduzem mais e vão aonde querem.

Por mais que isso seja um paraíso para elas, em um artigo publicado hoje na revista Nature Climate Change, nós demonstramos que a perda de predadores marinhos pode ter sérios efeitos cascata no armazenamento oceânico de carbono e, por consequência, no aquecimento global.

Efeitos Cascata


Nós já sabemos há um bom tempo que mudanças na estrutura das teias alimentares - especialmente as causadas pela perda de grandes predadores - pode alterar o funcionamento de um ecossistema. Isso acontece de maneira mais perceptível nas situações em que a perda dos predadores no topo da cadeia alimentar liberta os organismos abaixo dele do controle regulatório decrescente. Por exemplo, a perda de um predador tende a permitir que a população da sua presa aumente, o que vai aumentar o consumo das presas dela, e por aí vai. A isso se dá o nome de "regressão trófica".

Com a perda de cerca de 90% dos grandes predadores do oceano, a regressão trófica está acontecendo em todo lugar. Isso perturba os ecossistemas, mas, em nosso artigo, também denunciamos os efeitos que isso tem na capacidade dos oceanos de capturar e armazenar carbono.

Isso pode acontecer em vários ecossistemas, especialmente nas zonas costeiras. É lá que a maior parte do carbono do oceano é armazenado, dentro de ecossistemas de erva marinha, sapal e mangue - apelidados de ecossistemas de "carbono azul".

Ecossistemas de carbono azul capturam e armazenam carbono 40 vezes mais rápido que as florestas tropicais (como a amazônica) e podem armazená-lo por milhares de anos. Isso os torna um dos dissipadores de carbono mais eficazes do planeta. Apesar de ocuparem menos de 1% do solo do oceano, estima-se que os ecossistemas de carbono azul costeiros sequestram mais da metade do carbono do oceano.

O que é armazenado pelos ecossistemas azuis fica preso dentro dos corpos de plantas e sob o solo. Quando predadores como tubarões e outros peixes grandes são removidos desses ecosistemas, ocorre um aumento nos organismos herbívoros que pode destruir a capacidade dos habitats de sequestrar o carbono.

Por exemplo, nos campos de erva marinha de Bermuda e da Indonésia, a diminuição da predação nos herbívoros ocasionou uma perda gigantesca da vegetação, com 90 ou até 100% das plantas acima do solo sendo removidas.

Parem de Matar Predadores


Essas perdas de vegetação também pode desestabilizar o carbono enterrado e acumulado ao longo de milhões de anos. Por exemplo, a extinção de um sapal de 1.5km² em Cape Cod, Massachusetts, causada pela pesca recreacional excessiva de peixes e caranguejos predatórios, acabou por liberar cerca de 248.000 toneladas de carbono do subsolo.

Se apenas 1% da área global de ecossistemas de carbono azul for afetada pelo efeito cascata na cadeia alimentar, como ocorreu nesse último exemplo, o resultado seria uma liberação anual de 460 milhões de toneladas de CO2, o equivalente às emissões anuais de cerca de 97 milhões de carros, ou um pouco menos do que a emissão anual de gases estufa da Austrália.

E o que pode ser feito? Para começar, esforços maiores pela conservação da vida marinha e a modificação das leis de pesca podem ajudar a restaurar as populações de predadores marinhos e, portanto, ajudar a manter o importante papel indireto que eles têm na mitigação da mudança climática.

O que temos que fazer é restaurar o equilíbrio, para termos, por exemplo, números saudáveis e naturais tanto de tartarugas quanto de tubarões. As políticas e a administração precisam ter em mente essa importante descoberta com urgência.

Mais de 100 milhões de tubarões podem estar sendo mortos em pesqueiros todos os anos, mas se pudermos dar proteção suficiente para esses predadores, talvez eles acabem nos salvando no final.

Fonte: IFLScience

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Como Fazer Um Personagem Secundário Ser Lembrado? Pergunte ao Heimdall - Terça no Cinema #32


Desde o anúncio de que Idris Elba havia se juntado ao elenco de Star Trek: Beyond, os detalhes de seu personagem têm sido guardados a sete chaves. Não nos foi dito nada além do fato de que ela será o antagonista do novo filme. Mas agora, Idris está finalmente falando sobre seu papel na trilogia, embora sem entrar em muitos detalhes. Elba prometeu que seu vilão em Beyond terá uma jornada complexa e interessante, e trará uma visão nova e surpreendente dos vilôes clássicos de Star Trek.

A MTV conversou com Idris Elba durante a divulgação que o ator fazia a divulgação do filme Beasts of No Nation, e, pela primeira vez, ele falou às câmeras sobre seu papel de antagonista:

"Simon [Pegg] e o pessoal escreveram uma jornada muito interessante e complexa para o meu personagem. Ninguém nunca me viu em um papel como esse. ... Eu acho que Star Trek sempre teve orgulho de ser muito clássico em relação aos vilões, tipo 'aquele cara quer destruir o mundo', quanto a isso não há dúvidas. Mas eu acho que nessa versão do filme, a visão está um pouco diferente. É uma jornada muito interessante, que, na minha opinião, vai ser uma revolução na franquia. Mas, ao mesmo tempo, vai-se manter aquele tom de 'vilão clássico é vilão clássico'."

Podemos tirar algumas conclusões dessas frases:

1. Seu personagem terá uma "história muito interessante e complexa".
2. Neste filme, o vilão será diferente do arquétipo do vilão clássico de Star Trek, e ele será "revolucionário para a franquia".

Idris parece dizer que seu personagem não é "um vilão clássico de Star Trek", mas isso não quer dizer que ele não seja um personagem que já apareceu antes na história. Entretanto, depois das reações ao Khan de Star Trek: Além da Escuridão, não seria de se estranhar a decisão de criar um novo vilão para o terceiro filme.

Os primeiros rumores haviam sugerido que os Klingons seriam os vilões principais deste filme. Os clássicos alienígenas de Star Trek não tiveram uma presença muito grande nos primeiros dois filmes, mas o roteirista e co-estrela Simon Pegg já afirmou que Idris não vai viver um Klingon. Mas, claro, Pegg imediatamente riu e, de palhaçada, completou com "ou talvez ele vá", então não temos como saber se ele realmente desmentiu a afirmação. Lembrem-se, esse cara foi o mesmo que insistiu que os rumores de que Benedict Cumberbatch seria Khan eram "mitos".

Idris também disse à MTV que ele tem trabalhado "18 horas por dia", o que pode significar que ele esteja gastando um tempo na cadeira do maquiador no início e no fim de cada dia de filmagem. Com base nisso, eu não descarto a possibilidade de vermos Elba no papel de uma versão diferente e mais complexa dos vilões Klingons da série.

[Ou isso:]

















Fonte: SlashFilm

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Amarre Dois Em Uma Bola Preta E Você Estará Pronto Para O Episódio VII - Tecno-Segunda #32


Um motor de íons que oblitera o atual recorde de eficiência de combustível foi registrado para uma patente de inovação. O inventor Patrick Neumann disse ao jornal estudantil Honi Soit, da Universidade de Sydney, que o motor era capaz de "ir e voltar de Marte sem reabastecer", mas o seu primeiro uso pode acabar sendo a alteração da rota de redes de pequenos satélites ao redor da órbita da Terra.

Neumann diz que a ideia do motor de íons ocorreu quando ele estava no terceiro ano e ajudando um estudante de pós-doutorado, como parte de um programa de integração que colocava bacharelandos em contato com pesquisa de verdade. Neumann mediu a velocidade de íons de titânio liberados em um pulso elétrico, como o que se usa em um soldador de arco. "O titânio estava saindo a 20 quilômetros por segundo, e eu pensei 'dá para usar isso como propulsão'", disse ele ao IFLScience. Em pesquisas posteriores, Neumann descobriu que seu palpite estava certo e testou a viabilidade de um total de onze materiais.


Os resultados foram incríveis. Uma das medidas da eficiência de um sistema de propulsão é o impulso específico, coloquialmente chamado de "bounce per ounce" [Algo como força por quilo], e medido em segundos. O recorde atual é do Propulsor Elétrico de Alta Potência (HiPeP, na sigla em inglês) da NASA, com 9.600 segundos, mas, alimentado com magnésio, o motor de Neumann conseguiu em torno de 14.600 segundos de impulso específico. Disse ele que "outros metais têm uma eficiência menor, mas geram mais propulsão. Ou seja, seria necessário mais combustível para chegar a Mater, mas chegaríamos lá mais rápido."


Neumann diz que combustíveis metálicos têm suas vantagens, fora a eficiência. O HiPeP usa xenônio, que, de acordo com ele, "é difícil de se encontrar fora da Terra". O magnésio pode ser encontrado na forma de olivina em asteróides, mas Neumann conseguiu resultados promissores com titânio, alumínio e outros metais amplamente usados. Espaçonaves usando esse motor seriam capazes de conseguir combustível extra a partir de satélites desativados, criando, ao mesmo tempo, uma solução para o problema do lixo espacial.

Propulsores de íon, como os que levaram a sonda Dawn a Ceres, só podem ser usados no vácuo, e Neumann diz que até decolar da Lua ou de asteróides maiores vai continuar sendo um trabalho para foguetes. Entretanto, diz ele que seu motor pode ser usado para decolar uma nave de objetos com baixa gravidade, tais quais as luas de Marte, Fobos e Deimos.

"Nós fizemos cálculos muito rudimentares e muito adiantados, mas achamos que 20 quilogramas de magnésio poderiam levar uma nave de 100 quilogramas até Marte e de volta novamente. Levaria de três a cinco anos e temos que considerar uma margem de peso para a nave, os paineis solares e o sistema de comunicação, mas achamos que teria que haver mais uns 20 quilos para compensar a carga", disse Neumann ao IFLScience. "Com um combustível de maior propulsão no Motor de Neumann, seria possível fazer a viagem em algo entre nove e onze meses, mas o tanque estaria vazio quando a nave chegasse lá". Nesse segundo caso, uma viagem de retorno dependeria ou da extração local de materiais ou da existência de depósitos de combustível na órbita de Marte ou de uma estação de abastecimento em Fobos ou Deimos, estabelecida antes da viagem.

Neumann diz que os experimentos com pulsos elétricos em metais datam da década de 1920, e que alguns dos dados coletados foram muito uteis para ele para definir que materiais testar. Essa pesquisa foi feita com menos da metade da intensidade de corrente que ele utiliza, e ninguém antes tinha pensado em usar pulsos elétricos de alta corrente para gerar propulsão.

Fonte: IFLScience
Imagens: IFLScience, jrbassett.com

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Hipsters, Trouxas e Transformistas - Receitas de Sexta #22

Salada Bae Seng Chae



100g de cenoura
1 pepino
3 folhas de repolho ou de alface
1 talo de salsão
1/2 pera
5-6 ramos de cebolinha
1 colher de chá de sementes de gergelim torradas

Molho:

1/2 colher de sopa de vinagre
1 1/2 colher de sopa de suco de limão
2 colheres de chá de açúcar
1 colher de sopa de óleo de gergelim
1/2 colher de chá de sal

- Corte os vegetais (e a pera) em tiras finas de aprox. 5cm.
- Em um recipiente, misture todos os ingredientes do molho e misture bem, até ficar homogêneo.
- Tempere a salada com o molho e cubra com as sementes de gergelim.


Trouxinha de Pancetta


6 bistecas de porco sem osso
1 colher de sopa de azeite de oliva
250g de pancetta fatiada fina
1 maçã vermelha pequena, descascada, sem miolo e fatiada fina
150g de queijo brie fatiado (ou outro à sua escolha)

- Limpe qualquer gordura que esteja visível nas bistecas e as amasse levemente com um martelo de carne.
- Pincele o azeite e tempere com pimenta do reino preta
- Sele as bistecas por dois minutos cada lado em uma grelha quente e reserve para esfriar.
- Disponha 4 fatias da pancetta de modo que elas fiquem levemente sobrepostas e coloque uma bisteca selada em cima
- Divida o queijo e a maçã entre as camas de pancetta, colocando-os em cima da bisteca
- Embrulhe a pancetta em volta de cada bisteca para segurar o recheio no lugar (use palitos de dente se necessário)
- Leve ao forno a 200ºC em uma assadeira por 15 minutos, ou até a bisteca terminar de cozinhar
- Sirva com purê de batata e os sucos que saírem das carnes.

Rosas de Maçã/Ameixa


6 maçãs ou ameixas médias
2 rolos de massa folhada
1/3 de xícara de manteiga derretida
1/2 xícara de damascos em conserva
2 colheres de sopa de suco de limão
1 colher de chá de açúcar refinado
1 colher de sopa de canela
1 colher de sopa de açúcar refinado
1/8 de xícara de açúcar de confeiteiro

- Pré-aqueça o forno a 190ºC
- Unte uma forma de muffin de 6 lugares e reserve.
- Fatie as maçãs/ameixas fino e leve-as ao microondas em um recipiente com 1 colher de chá de açúcar, suco de limão e água suficiente para cobrir as frutas até a metade.
- Ligue o microondas por 3 minutos.
- Coloque os damascos em conserva e 1/2 xícara de água em outro recipiente e leve ao microondas por 1 minuto.
- Espalhe farinha no balcão e desenrole a massa folhada. Corte cada folha de massa em três pedaços e apare as bordas para que fiquem retas
- Derreta a manteiga e pincele, levemente, sobre a massa.
- Pincele a mistura de damasco sobre a massa
- Disponha as fatias de maçã/ameixa em um padrão sobreposto ao longo de uma das bardas de cada folha
- Misture canela e açúcar e polvilhe sobre a massa e as frutas.
- Dobre a folha de massa em duas, para que as frutas estejam "dentro" dela, então enrole a massa gentilmente na forma de uma rosa.
- Não deixe as frutas escaparem da rosa ou a massa ficar saliente na parte de baixo
- Coloque as rosas na forma de muffin e leve ao forno por 40 minutos. Para checar o ponto, verifique se a massa na parte central da rosa está dourada e firme.
- Retire do forno, deixe esfriar e polvilhe o açúcar de confeiteiro por cima. Sirva quente ou fria.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Se Você Discorda Disso, É Melhor Repensar Sua Vida - Quinta Jogando #27

Ownt. <3
O designer de Fallout 4, Todd Howard, disse em uma entrevista recém-publicada que todos os companheiros do jogador - não apenas Dogmeat - serão impossíveis de se matar. E há uma razão bem simples que os fez optar contra a morte permanente dos companheiros.


Quando um companheiro NPC receber uma certa quantidade de dano, eles serão incapacitados. No entanto, você pode ajudá-los a voltar para a briga usando um stimpak neles. Howard disse na entrevista com o site Bethesda.net que eles chegaram à conclusão de que a morte de um companheiro interromperia o fluxo do jogo, já que os jogadores sempre vão reiniciar a luta para manter seu aliado vivo.

"É uma situação de reload. Ninguém está no meio do jogo, vê o cachorro morrer e diz 'Que se foda. Eu vou continuar jogando.' Por isso, nós quisemos torná-lo...quando ele está com você, quando ele é o seu companheiro - há alguns deles, não só o cachorro - eles não podem ser mortos quando estão nesse estado."

Com certeza, era assim que eu jogava Fallout 3. Sempre que o meu companheiro batia as botas, eu recarregava o jogo. E isso acontecia muito, graças à tendência dos NPCs de pular de lugares altos. Acabou que ficar recarregando lutas virou uma chatice tão grande que eu decidi parar de levar companheiros comigo. E eu imagino que muitos jogadores fizeram o mesmo. Mesmo que os personagens não tivessem muito para dizer, eu sempre me senti um babaca de deixar eles morrerem. E mais, eles estava carregando um monte de coisa minha.

A Bethesda não quer que os jogadores evitem os companheiros. Bem o contrário, eles querem que formemos laços mais fortes com os de Fallout 4 do que com os dos jogos anteriores. Você pode ter um relacionamento com qualquer NPC humano com quem viaje, independente do gênero. Imagino eu que eles perceberam que deixar o jogador se esforçar tanto para conquistá-los só para eles morrerem com um tiro na cara de algum bandido seria cruel demais.

É ótimo que Dogmeat não possa morrer, afinal ele está mais realista do que nunca em Fallout 4. Nesse jogo, a Bethesda se baseou em River, o pastor alemão do level designer Joel Burgess, para criar o fiel canino. Abaixo, um vídeo mostrando o processo de captura de movimentos e sons do cão:


A Bethesda disse que haverá "em torno de doze" companheiros recrutáveis em Fallout 4. Entre eles, o soldado minuteman Preston Garvey, uma mulher chamada Piper e o mordomo robótico Mister Handy. Os outros companheiros ainda não foram revelados, mas eu imagino que vamos conhecer mais alguns deles até a data do lançamento do jogo em novembro.

Fonte: CinemaBlend

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mantenha Fora do Alcance de Crianças. Mesmo. - Quarta Científica #28


Ligas de vidro metálico são materiais ultra-fortes que, quando aquecidos, se tornam tão maleáveis quanto massinha de modelar. Elas têm uma gama enorme de usos, mas para descobrir quais são as melhores, dependíamos da tentativa e erro. Entretanto, pesquisadores agora afirmam ter desenvolvido um "manual de instruções" para encontrar as melhores ligas.

A pesquisa, publicada na revista Nature Communications por cientistas da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), em Sydney, Austrália, pode permitir que exploremos o enorme potencial desses materiais. "Eles foram descritos como o progresso mais importante em ciência de materiais desde a descoberta dos plásticos, mais de 50 anos atrás", disse o autor-chefe Dr. Kevin Laws da UNSW.

Ligas de vidro metálico tem uma estrutura atômica altamente desorganizada, mais parecida com vidro do que com metais normais, que são cristalinos e organizados quando em estado sólido. Aquecer vidro metálico permite que ele seja moldado como vidro soprado, e algumas ligas conseguem ser três vezes mais fortes e duras que as ligas normais, como aço, o que os torna os materiais mais duros conhecidos.

Entretanto, descobrir as melhores ligas de vidro metálico é difícil. Até então, o processo tem sido de tentativa e erro, então esse novo método pode ser essencial. A equipe usou um modelo para prever, com sucesso, mais de 200 novas ligas nos últimos anos, compostas de metais como magnésio e prata. Agora, elas serão estudadas para descobrirmos suas várias propriedades.

O manual de instruções funciona prevendo certas propriedades de certas ligas, tais como defeitos estruturais que possam prejudicar a formação do metal em um estado vítreo. "Com o nosso novo manual, podemos começar a criar vários novos vidros metálicos úteis e começar a entender os fundamentos atômicos responsáveis por suas características excepcionais", disse o Dr. Laws. "Também seremos capazes de criar esses materiais em escala atômica, de modo que eles tenham as propriedades específicas que desejamos".

Porém, nem tudo são flores. Vidro metálico ainda é um material difícil e caro de se produzir. Seu uso até então tem se limitado a pinos ejetores em iPhones e molas de relógio, mas se ele puder se tornar mais barato - talvez com a descoberta de novas ligas usando esse método - então talvez ele possa ser amplamente usado em aparelhos eletrônicos, baterias e até naves espaciais.

Fonte: IFLScience

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Não Faça Amor Nem Guerra - Terça no Cinema #31


Contatos Imediatos do Terceiro Grau é um filme para se contemplar, imaginar e se empolgar com o desconhecido. Ao mesmo tempo, embora nunca seja tão assustador para os espectadores, ele reconhece o horror que existe em certos mistérios. Uma vez que todo mundo parece estar feliz no final, não importa que uma criança tenha sido roubada de sua mãe e com certeza não importa o que aconteceu com ele a bordo, ou por que. O reencontro e o sorriso em seu rosto são o suficiente para que esqueçamos o terror que ela sentiu ou o medo que alimentou sua curiosidade a respeito do pouso do OVNI que foi o clímax do filme, sem, no entanto, desconsiderar que eles existiram.

A versão original de Contatos Imediatos evitou nos mostrar o que acontecia dentro do OVNI, mantendo segredo sobre o que aqueles alienígenas estavam fazendo com os inúmeros humanos que abduziram ao longo de várias décadas. Ainda era possível dar o benefício da dúvida aos extraterrestres. Mesmo após a infeliz decisão de Steven Spielberg de colocar cenas do interior da nave-mãe alienígena para a segunda estréia em 1980, não havia nada com que se preocupar. A cena extra, que mais tarde foi removida em outra versão do filme, é só para agradar aos olhos. O que não quer dizer que o filme seja completamente ambíguo. Os alienígenas, na maior parte do tempo, parecem ser inofensivos e convidativos. Presume-se que o personagem de Richard Dreyfuss vai se divertir.

Spielberg acertou em quase tudo, mas o problema com filmes de abdução alienígena é que eles pendem demais ou para o lado do terror ou para o da fantasia. Ou os alienígenas são monstros que querem fazer experiências horríveis e dolorosas nas pessoas, o que os coloca mais perto da categoria de filmes de invasão, ou eles só vieram convidar alguém para ser um herói em uma guerra intergalática, visitar um planeta onde ninguém morre, ou simplesmente dar uma volta divertida em uma espaçonave controlada por um computador com a voz do Luciano Huck. Esse último tipo provavelmente nem merece a alcunha de filme de abdução, já que não existe a conotação de sequestro, mas mesmo assim eles são basicamente sobre a mesma coisa.

Provavelmente o único alienígena capaz de ao mesmo tempo divertir e aterrorizar uma pessoa abduzida.
Só que, essa coisa é algo que deveria despertar o fascínio. Não necessariamente sonhos ou pesadelos, só uma situação inexplicável que prenda a nossa atenção. É o que se esperaria de filmes baseados em fatos supostamente reais, como a história de Betty e Barney Hill, os famosos primeiros humanos abduzidos que estão ganhando um novo filme, sob o controle da produtora da série Maze Runner. Por mais que tiremos sarro da franquia e sua estratosférica pilha de perguntas sem resposta, o primeiro filme, em especial, consegue mostrar a natureza misteriosa que atrai nosso interesse em histórias não-ficcionais de abduções alienígenas.

Na maior parte, as adaptações para o cinema dessas histórias tendem para o lado do pesadelo. Estranhos Visitantes e Fogo no Céu mostram suas cenas dentro das espaçonaves como cenas de horror, e o que acontece lá certamente é aterrorizante para os abduzidos. Mas esses são relatos de experiências, tornadas assustadoras pela estranheza e falta de compreensão, que fazem parte de uma excursão maior. E os abduzidos sempre voltam para casa razoavelmente bem, fora um leve resquício de trauma em seus subconscientes. Ninguém se surpreenderia de descobrir que os abduzidos de Contatos Imediatos passaram por experiências parecidas, mas elas não são mostradas para o público, nem os efeitos posteriores que elas tiveram nos sobreviventes.

Do mesmo jeito que Maze Runner e sua sequência, Maze Runner: Prova de Fogo têm cenas em estilo horror dentro de suas histórias maiores de mistério e aventura, mas não são filmes de horror, um filme mostrando o incidente dos Hills deveria mostrar eventos assustadores para os personagens, mas sem ser um filme assustador em sua totalidade. O X da questão do caso Hills é que a abdução em si não é tão interessante, quando classificada e comparada com o resto do fenômeno e com tudo que já foi feito no cinema com esse tipo de história. O que interessa mesmo é o contexto maior dos dois, já tendo sofrido muito preconceito por serem um casal inter-racial e, claro, terem sido o primeiro caso de abdução amplamente divulgado.

O novo filme, que será baseado no livro Captured! The Betty and Barney Hill UFO Experience: The True Story of the World’s First Documented Alien Abduction, de 2007, promete dedicar bastante tempo aos contextos raciais e da Guerra Fria, o que dá a esperança de que ele vá ser algo mais profundo do que a maioria dos filmes falando deste tipo de assunto. "Eles eram um casal inter-racial em um país que ainda tinha leis segregacionistas, e eles viviam em uma cidade bem do lado de uma base aérea cheia de armas nucleares. O que eles sabiam e por que eles foram os alvos são conteúdo para um filme fenomenal", disse Jackie Zabel, Presidente da Stellar Productions e esposa do roteirista do filme, Bryce Zabel.

Entretanto, uma coisa que Capturados, o título atual do filme, provavelmente não vai capturar é a curiosidade contínua e não-assustadora de muitas histórias de abduções alienígenas que deixou os fãs do gênero tão cativados. Eu confesso: na minha juventude, eu fui um desses fãs. Eu ia em leituras coletivas de autores como Whitley Strieber, de Estranhos Visitantes, e ficava obcecado com livros e revistas que falavam do relato dos Hills e de outros (em especial, as longas e complexas histórias e diagramas de Betty Andreasson Luca). E eu não consigo imaginar esse aspecto do apelo do fenômeno, aquele mistério sem fim de por que os alienígenas supostamente estariam abduzindo pessoas, sendo transferido completamente para as breves sessões de cinema.


Não que seja impossível de se fazer. Apesar de ter ficado fora do que acontece dentro da nave (na medida do possível), Spíelberg meio que mergulhou na toca do coelho da narrativa estilo País das Maravilhas que é a que mais se encaixa em uma história de abdução (especialmente as de Andreasson Luca), enquanto evitava as armadilhas do gênero de horror. O problema para a maioria das histórias se passando dentro das naves é que o público geral tende a julgá-los levianamente como absurdas e/ou clichê, especialmente aquelas histórias que se dizem verdadeiras. Se Capturados puder ser levado a sério e se focar mais nos elementos pé-no-chão da história dos Hills do que nos acontecimentos com os alienígenas, mais duros de engolir (seja lá como eles sejam representados nessa versão), será mais fácil o público aceitá-lo. Já para aqueles dentre nós que se interessam pela parte dura de engolir (quer a engulamos ou não), talvez não seja tão bom assim.

Com sorte, será um passo que unirá ambas as visões. Spielberg também produziu a mais extensa minissérie Taken, que cobre a mitologia maior do fenômeno das abduções e, em grande parte, acerta nos aspectos mais curiosos que atraem a mim e, presumo, a outrem. Zabel também trabalhou em Taken e co-criou sua predecessora Os Escolhidos, que também lida com uma narrativa maior de OVNIs claramente baseada em uma familiaridade com relatos "factuais". Ele provavelmente é a pessoa mais qualificada para levar a história dos Hills para as telonas, mas eu também creio e torço que ele seja a pessoa que nos trará mais histórias grandiosas e fidedignas do fenômeno, além da que é considerada a primeira.

Fonte: Film School Rejects
Imagens: Film School Rejects, Entretenimento Ácido e Pinterest