quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O Vale Que É Mais Importante Que O Vale Do Silício - Quarta Científica #34


O "uncanny valley" é uma queda característica na resposta emocional que acontece quando encontramos uma entidade cuja aparência é muito próxima da humana, mas não completamente. Ele foi proposto pela primeira vez em 1970 pelo engenheiro robótico japonês Masahiro Mori, que identificou que, conforme os robôs ficassem mais e mais parecidos com os humanos, as pessoas os aceitariam mais e os considerariam mais agradáveis que seus parentes mais mecânicos. Quando os robôs parecessem muito com humanos, mas sem serem idênticos, as pessoas desenvolveriam uma sensação de apreensão e desconforto. E se a aparência melhorasse além desse ponto, se aproximando mais da nossa, a resposta emocional voltaria a ser positiva. Essa queda na relação entre a semelhança com os humanos e a resposta emocional recebe o nome de "uncanny valley", o vale do esquisito.

Qualquer coisa com uma aparência altamente humana pode sofrer do efeito do vale do esquisito, mas os exemplos mais comuns são andróides, personagens de video game e bonecos realistas.


Entretanto, nem todo robô quase-humano é sinistro, e essa percepção varia de pessoa para pessoa. Então, o que existe de prova sobre esse efeito e qual é propriedade dos quase-humanos que nos faz sentir tão desconfortáveis?

Em Debate


Desde 1970, o efeito uncanny valley tem sido explorado de várias perspectivas, do interesse prático dos criadores de robôs para os pensamentos teóricos dos filósofos e os estudos experimentais conduzidos pelos psicólogos. A pesquisa começou a ganhar força em 2005, quando Karl MacDorman e Takashi Minato traduziram o artigo original de Mori para o inglês. Desde então, o interesse na área vem crescendo: até agora, 510 artigos acadêmicos fizeram referência ao efeito em 2015, contra apenas 35 em 2004.

Apesar do efeito ser fácil de descrever, e parecer ser o "certo" de se sentir ao se olhar para agentes quase-humanos como os bebês reborn ou personagens de jogo, estudar um conceito tão circular e subjetivo é notoriamente complicado. Os acadêmicos estão até envolvidos em um debate ativo sobre se o efeito sequer existe - Jari Kätsyri e seus colegas revisaram as provas recentemente e concluiram que o efeito ainda é muito fugaz.


Seja como for, o debate ainda não foi vencido - apesar de recentemente ter sido publicada o que pode ser a prova mais convincente a favor da existência do vale do esquisito. Maya Mathur e David Reichling estudaram 80 robôs do mundo real e encontraram um nítido efeito de vale no quanto as pessoas gostavam ou estavam dispostas a confiar neles.

Seus dados mostraram o clássico padrão subida-descida-subida que Mori originalmente previu. Isso foi observado nos robôs originais e também com imagens em computação gráfica criadas para variar, de forma sistemática, sua fidelidade à aparência humana. Agora, o desafio é explicar o porquê disso estar acontecendo. Eu venho realizando pesquisas nessa área desde 2006, e, revisando a literatura disponível, eu encontrei pelo menos sete explicações - mas só três, até o momento, parecem particularmente dignas de mérito.

Top 3 das Teorias


Primeiro, o vale do esquisito pode ocorrer no limiar de algo passando de uma categoria para outra, não-humano e humano, no caso. Christine Looser e Thalia Wheatley observaram rostos de manequins que foram transformados em rostos humanos e encontraram um vale no momento em que os rostos inanimados começaram a parecer vivos.

Segundo, a presença de um vale pode depender da nossa crença de que entidades quase-humanas tenham uma mente como nós. Um estudo feito por Kurt Gray e Daniel Wegner descobriu que robôs só incomodavam as pessoas quando elas começavam a achar que eles tinham a capacidade de sentir e experimentar coisas, e robôs que não pareciam ter mente não eram assustadores.

Uma última área, promissora para pesquisas futuras, é a de que o vale do esquisito ocorre por causa dos desencontros entre aspectos da aparência do robô e/ou de seu comportamento. A pesquisa de Angela Tinwell analisou vários tipos de desencontro, inclusive sincronização da fala, velocidade da fala e expressões faciais. Em um estudo de 2013, descobriu-se que agentes quase-humanos que reagiam a um barulho repentino demonstrando surpresa na metade inferior do rosto (não na superior) são particularmente sinistros. Esse estudo sugeriu que isso pode ser até mesmo um remanescente do padrão de comportamento expressivo exibido por humanos com traços de psicopatia.


A minha pesquisa mais recente se baseou nas descobertas de Tinwell e examinou respostas a rostos com expressões emocionais diferentes demonstradas nos olhos e no resto da face. Eu descobri que as combinações mais perturbadoras são as de rostos felizes com olhos assustados ou zangados, o que pode sugerir que o agente estava suprimindo uma emoção desagradável.

A ciência dos andróides avança muito rápido, e ela está criando robôs cada vez mais realistas. O vale do esquisito não existiria se um robô fosse indistinguível de um ser humano, porque não haveria mais uma queda na resposta emocional.

Uma das teorias, a da "uncanny wall", ou parede do esquisito, sugere que sempre será possível distinguir o artificial do humano, uma vez que, por mais que os robôs se tornem mais realistas, nós também nos tornaremos mais perceptivos, e sempre seremos capazes de perceber que algo não está certo.

Mas, certamente, ainda não chegamos nesse ponto, e talvez logo descubramos que o efeito uncanny valley foi um artefato deste período em particular da história dos humanos artificiais, quando as cópias eram fáceis de se distinguir do verdadeiro. Para alguns, a incapacidade de discernir entre robôs e humanos, por exemplo, pode levantar problemas maiores do que simplesmente achar isso sinistro. Como um pesquisador do vale do esquisito, eu planejo aproveitar essa sensação sutil de inquietação enquanto ela anda dura.

Fonte: IFLScience
Imagens: IFLScience, YouTube, Buzzfeed

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Steve Jobs Seria o Batman e Teria Um PS4 Em Casa - Terça no Cinema #36


Se você assistiu Steve Jobs, você já sabe que é uma cinebiografia divertida, bem-feita e com um bom ritmo retratando o homônimo chefão da Apple e aparente rei dos filhos da mãe. O roteiro de Aaron Sorkin é cheio das piadinhas, comentários e discussões elegantes e interessantes que se esperaria dele, enquanto que a direção de Danny Boyle dá um tom cinematográfico encantador ao que, basicamente, se resume a três cenas dos bastidores que repetem os mesmos conflitos de novo, de novo e de novo.

Mas é Michael Fassbender que realmente toma o controle de Steve Jobs e torna obrigatório assistir ao filme. Sua performance complexa, intimidadora e descompromissada é uma das melhores do ano, e as contribuições de Kate Winslet, Seth Rogen, Michael Stulhberg, Jeff Daniels e Katharine Waterson são tão espetaculares quanto.

Apesar de seus toques de gênio, Steve Jobs ainda tem suas falhas. Ele acaba ficando repetitivo e, por vezes, sentimental demais. E talvez pelo fato de que várias versões do roteiro de Aaron Sorkin quase chegaram às telonas, nós ficamos imaginando o que poderia ter sido. Aliás, aqui estão três mudanças para Steve Jobs que significam que quase tivemos um filme completamente diferente do que está atualmente nos cinemas do mundo todo.

David Fincher Estava a Uma Discussão Contratual de Dirigir Steve Jobs



Após trabalharem juntos em A Rede Social, não é de se espantar que Aaron Sorkin tentou recrutar David Fincher para dirigir Steve Jobs assim que ele terminou de adaptar o livro de Walter Isaacson sobre a lenda da Apple. Fincher também estava ansioso para por as mãos no roteiro de Sorkin. Infelizmente, uma disputa contratual fez o diretor se retirar da produção, mas a segunda escolha de Scott Rudin, Danny Boyle, na hora caiu de amores com o trabalho de Sorkin, e logo entrou para a equipe.

O que seria diferente se Fincher tivesse sido o diretor? Bom, para começar, a trilha sonora provavelmente teria brilhado com os esforços de Trent Reznor e Atticus Ross, e muito provavelmente não incluiria uma música da banda britânica The Libertines, a qual, apesar de ter gostado, eu achei que não estava no lugar certo.

Fora isso, podemos apenas especular. Será que David Fincher teria feito questão que as re-aparições constantes dos ex-aliados de Steve Jobs, que rapidamente viraram seus inimigos, não ficassem parecendo um capítulo de novela? Bom, o sensacional documentário sobre a produção de A Rede Social provou o quão meticuloso o diretor é em seus esforços de retirar do roteiro material que ele considera supérfluo. Talvez isso fizesse Steve Jobs ser um pouco menos apelativo.

Uma coisa é quase certa: David Fincher não teria feito o fechamento da história tão bombasticamente sentimental. Danny Boyle já revelou em suas conversas com Amy Raphael, transcritas em seu excelente livro Danny Boyle: Em Suas Próprias Palavras, que sente muito remorso por não ter terminado Sunshine: Alerta Solar com a música "Fix You" do Coldplay, porque ele teve medo que ficaria muito exagerado. Desde então, especialmente em Slumdog Millionaire e 127 Horas, Boyle tem usado bastante os finais grandiosos e emocionantes. Eles se encaixaram bem com ambos os filmes por gerarem uma catarse depois das montanhas-russas de emoção geradas pelas narrativas. Esse estilo não funcionou com Steve Jobs. Aliás, ficou parecendo forçado e exagerado. E foi algo que, para melhor ou pior, eu não imaginaria David Fincher fazendo.

Christian Bale, Não Michael Fassbender, Era a Primeira Opção para O Papel de Jobs



Quando Sorkin revelou que Christian Bale tinha sido escolhido para estrelar Steve Jobs, o roteirista insistiu que eles tinham contratado o melhor ator do mundo para o papel. Então, claro, quando Bale saiu do projeto junto com David Fincher, todos sempre saberiam que seu substituto seria a marca barbante do ator que fez Batman Begins. Por sorte, quem substituiu Bale foi ele próprio. Mas, depois de concordar em participar do filme pela segunda vez, ele desistiu de vez em novembro de 2014.

Como consequência da saída de Bale, ofereceram o papel a Michael Fassbender, e quem viu o filme vai concordar que existe algo de especial em sua performance como Jobs. Na verdade, ele é tão bom que imaginar outra pessoa no papel beira o impossível.

Mas a notícia de que Steve Jobs teve uma abertura mediana nas bilheterias vai gerar perguntas sobre se a presença de Christian Bale teria aumentado seu sucesso inicial. American Hustle, O Vencedor e O Grande Truque não foram blockbusters, mas tiveram retornos enormes, enquanto que, apesar de seu óbvio talento, Michael Fassbender ainda não conseguiu ser a estrela de um filme de baixo orçamento que acabe sendo um grande sucesso de bilheteria.

Mas isso não é importante de verdade, porque Fassbender está excelente como Steve Jobs, e isso é tudo que merece ser lembrado. Muito embora eu goste de imaginar que em algum universo paralelo por aí, Christian Bale também está sendo tão aplaudido quanto por sua versão de Jobs.

Sony Quase Foi Produtora, Seth Rogen Quase Não Entrou?



Será que a decisão de escalar Seth Rogen, de A Entrevista como Steve Wozniak foi a razão da Sony ter abandonado Steve Jobs? Muito provavelmente não, mas é uma historinha secundária interessante de como o filme eventualmente chegou aos cinemas.

Depois de comprar os direitos do livro de Walter Isaacson em outubro de 2011, contratar Aaron Sorkin para adaptá-lo, forçar David Fincher a confirmar e depois desistir da posição de diretor, e, então, finalmente conseguir recrutar Boyle, Fassbender e Rogen, a Sony acabou por abandonar o barco. Mas isso não teve a ver com Rogen. Na verdade, teve mais a ver com o fato da Sony querer reduzir custos depois de várias bilheterias ruins. Eles não achavam que Steve Jobs seria um sucesso, e julgando pelo seu retorno bruto atual, ele provavelmente não vai gerar muito lucro, então o estúdio acabou decidindo parar a produção.

Mas a Universal Pictures rapidamente assumiu o projeto, e deu a Boyle e seus asseclas $30 milhões de dólares para fazer a magia do roteiro de Sorkin acontecer. Mas será que esse valor foi o suficiente para fazer o filme? Bom, dependendo do quanto foi pago aos atores, pensar-se-ia que sim. Mas o crivo de comparação mais óbvio é A Rede Social, e já que ele custou $10 milhões a mais para ser feito e teve um elenco menor e menos renomado do que Steve Jobs, pode-se pensar que daria para ter um pouco mais de combustível para o je ne sais quoi do filme.

Mas isso é um julgamento meio duro demais. Com certeza houve marketing, curiosidade e atenção positiva sobre Steve Jobs o suficiente para muitos imaginarem que o filme seria um sucesso. Mas, infelizmente, no cinema dos dias de hoje, é impossível saber com precisão como e porque um filme tem sucesso ou não nas bilheterias.

O que sabemos com certeza é que Steve Jobs tem suas falhas, mas é uma cinebiografia não-convencional e divertida de que todos deveríamos desfrutar, sem deixar de, ao mesmo tempo, especular sobre o que poderia ter sido.

Fonte: CinemaBlend

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Prioridade #1: Salvar o Gato! - Tecno-Segunda #36



Nós tomamos decisões todo dia julgando seus riscos - tipo atravessar correndo uma rua vazia para pegar o ônibus, coisa que não fazemos se ela estiver cheia. Às vezes, essas decisões precisam ser tomadas em instantes, diante de circunstâncias graves: uma criança entra na frente do seu carro, mas existem outros perigos de ambos os lados, por exemplo, um gato e um penhasco. Qual é a sua decisão? Você arriscaria sua própria segurança para proteger a de outros?

Agora que carros autônomos existem no mercado, sem um jeito rápido ou certo de reaver o controle - alguns, inclusive, não têm controle manual nenhum - as fábricas de carros estão diante de um dilema ético algorítmico. Computadores de bordo em carros já estacionam por nós, dirigem por nós em piloto automático, e seriam capazes de assumir o controle em situações críticas. Mas isso quer dizer que eles vão ter que encarar as escolhas difíceis que os humanos por vezes encaram.

Como programar o cálculo ético de um computador?

- Calcular o número de feridos em cada resultado e escolher o menor. Todas as vidas seriam tratadas igualmente.
- Calcular o número de crianças feridas para cada resultado e escolher o menor.
- Atribuir valores de 10 para cada humano, 4 para um gato, 2 para um cachorro e 1 para um cavalo. A partir disso, calcular a pontuação total de cada impacto e escolher o resultado com a menor soma. Portanto, um grupo grande de cachorros teria mais prioridade do que dois gatos, e o carro reagiria para salvar os cachorros.


E se o carro também incluísse o motorista e os passageiros nessa contagem, com a possibilidade do resultado dos transeuntes ser maior do que o das pessoas dentro dele? Quem, por vontade própria, entraria em um carro programado para sacrificá-lo se houvesse necessidade?

Um estudo recente de Jean-François Bonnefon da Escola Econômica de Tolouse, na França, sugeriu que não há respostas certas ou erradas para essas perguntas. A pesquisa usou algumas centenas de funcionários recrutados através do fórum Mechanical Turk da Amazon para analisar opiniões a respeito de cenários de pedestres sendo salvos por um carro que desvia, bate em uma barreira e mata o motorista. Depois disso, variaram o número de pedestres que seriam salvos.

Bonnefon descobriu que a maioria das pessoas concordou com a ideia de programar carros para minimizar o número de mortos, mas quando os cenários recebiam mais detalhes, elas passavam a ter menos certeza. Elas ficavam ansiosas em ver os outros usando carros autônomos, mas, usá-los elas mesmas, nem tanto. Portanto, as pessoas costumam sentir um instinto utilitário de salvar a vida dos outros e sacrificar quem esteja no carro, menos quando elas estão no carro.

Máquinas Inteligentes


Escritores de ficção científica tiveram muito espaço para escrever sobre robôs dominando o mundo (Exterminador do Futuro e cia ldta.) ou sobre futuros onde tudo que é dito é gravado e analisado (como o 1984 de George Orwell). Demorou um pouco para chegarmos nesse ponto, mas muitos chavões da ficção científica estão no processo de se tornarem ciência e tecnologia comuns. A internet e a computação de nuvem se tornaram a plataforma pela qual saltos quânticos de progresso são feitos, comparando a inteligência artificial com a humana.

No clássico filme de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisséia no Espaço, vemos vislumbres de um futuro onde os computadores tomam as decisões sobre as prioridades da missão, com o computador da nave, HAL, afirmando: "Essa missão é importante demais para que eu permita que você a coloque em risco".


Inteligência em máquinas é algo que está aparecendo em nossos aparelhos, desde os telefones até os carros. A Intel prevê que haverá 152 milhões de carros conectados até 2020, gerando mais de 11 petabytes de dados todo ano - o suficiente para encher mais de 40.000 HDs de 250GB. E quão inteligentes eles serão? De acordo com a Intel, (quase) tanto quanto você. Os carros vão compartilhar e analisar uma gama de dados para tomar decisões a cada momento. É bem verdade que, na maioria dos casos, carros sem motorista tendem a ser mais seguros que os normais, mas o problema está nas exceções.


As famosas Três Leis da Robótica do escritor Isaac Asimov propuseram um jeito dos aparelhos do futuro lidarem com decisões em circunstâncias perigosas:


  • Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra qualquer mal.
  • Um robô deve obedecer as ordens dadas por um humano, exceto quando essas ordens conflitarem com a Primeira Lei.
  • Um robô deve proteger sua própria existência, contanto que essa proteção não conflite com a Primeira ou a Segunda Lei.


Ele até adicionou uma "Lei Zero", mais fundamental ainda, que precede todas as outras:


  • Um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal.

Asimov não falou do nosso dilema ético do acidente de carro, mas com mais sensores para coletar dados, mais fontes de onde extrair esses dados, e um maior poder de processamento, a decisão de agir se torna um ato frio de análise.

E, claro, softwares são notoriamente cheios de problemas. Que desastres poderiam ser provocados por agentes maliciosos que comprometam esses sistema? E o que acontece no momento em que a inteligência artificial tira o controle da humana? Será o correto a se fazer? Afinal, em 2001, Dave teve que tomar medidas drásticas após se encher das decisões de HAL:


Será que um comprador no futuro será capaz de comprar opções programáveis de ética para customizar seu carro? O equivalente IA daquele adesivo "Eu não breco por ninguém"? E caso positivo, como você saberia de que modo os carros vão agir - e você subiria em um se soubesse?

E então vêm os problemas jurídicos. E se um carro pudesse ter intervindo para salvar vidas mas não interviu? Ou então atropelou pessoas de propósito com base em seu cálculo ético? Nós temos essa responsabilidade enquanto humanos que dirigem carros, mas as máquinas seguem ordens, então quem (ou o quê) é responsável por uma decisão dessas? Como vemos com o avanço da tecnologia de reconhecimento facial em smartphones, monitores de aeroporto e até mesmo no Facebook, não é difícil para um computador identificar objetos, rapidamente calcular as consequências baseado na velocidade do carro e nas condições da estrada, traçar um grupo de resultados, escolher um e agir. E quando ele fizer isso, ele provavelmente não terá escolha.

Fonte: IFLScience

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Especial Dia de Los Muertos - Receitas de Sexta #28


Guacamole


5 abacates grandes
Suco de 2 limões
1 cebola branca média
3/4 de xícara de coentro picado
1 tomate grande cortado em cubos
sal
Pimenta jalapeño picada a gosto (opcional)

- Corte os abacates ao meio, descarte a semente e raspe a casca com uma colher.
- Adicione, imediatamente, o suco de um limão para impedir que o abacate perca a cor. Amasse com um garfo até a consistência desejada.
- Adicione a cebola, o tomate e o coentro. Misture gentilmente.
- Adicione o suco do outro limão e sal a gosto. Mexa gentilmente, só até incorporar.
- Adicione a jalapeño.
- Sirva com tortillas (para nós brasileiros, Doritos).

Huevos Rancheros


2 colheres de sopa de azeite
1/2 xícara de cebola picada
1 pimentão verde picado
1 tomate, descascado e picado
1 dente de alho picado
1 pimenta jalapeño picada (opcional)
1 colher de chá de orégano
1/2 colher de chá de molho de pimenta
250g de molho de tomate
1/2 xícara de água
6 ovos

- Aqueça o azeite em uma frigideira grande.
- Adicione a cebola e o pimentão, cozinhe até ficarem macios.
- Adicione o tomate, o alho, a jalapeño, o orégano, o sal, o molho de pimenta, o molho de tomate e a água.
- Cubra e deixe cozinhar em fogo baixo por 20 minutos.
- Quebre os ovos, um a um, e despeje-os gentilmente no molho.
- Cubra novamente e deixe cozinhar até os ovos ficarem firmes, cerca de 5 minutos.
- Sirva com tortillas/Doritos ou queques, cobertos com um pouco de molho.

Calaveras de Dulce


1 clara de ovo
3/4 de xícaras de água
1/4 de xícara de xarope de milho claro
 xícaras de açúcar de confeiteiro
2 xícaras de amido de milho
Extrato de baunilha, de anisete ou de canela
Corante alimentício
Bolinhas de chocolate crocantes para os olhos (opcional)

- Bata a clara de ovo com a água até formar espuma.
- Adicione o extrato de sua escolha e o xarope de milho.
- Adicione o açúcar de confeiteiro.
- Sove a massa com as mãos para incorporar.
- Polvilhe 1 xícara de amido de milho em uma superfície lisa para amassar a pasta de açúcar até ficar lisa.
- Molde uma bola, enrole bem em papel-filme e leve à geladeira por algumas horas.
- Separe um pouco da pasta para colorir e usar como decoração.
- Com o restante, você deve ter o suficiente para fazer em torno de 8 caveiras (ou mais, se quiser fazê-las menores).
- Divida a massa na quantidade/tamanho desejados e comece a moldar as caveiras. Use um palito de churrasco para desenhar as feições (Dentes, olhos, nariz, etc).
- Se a massa começar a ficar muito grudenta, adicione mais amido de milho.
- Adicione os corantes (e os extratos) à pasta reservada.
- Para decorar, molde a pasta colorida manualmente ou misture um pouco d'água para fazer um glacê.
- Para seguir a tradição, as caveiras devem ser decoradas com um visual alegre, não assustador.
- Finalize, se quiser, colocando as bolinhas de chocolate nas órbitas dos olhos.
- Guarde em geladeira até o momento de servir.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A Bethesda O Que É De Bethesda - Quinta Jogando #33



Apesar do enorme clamor entre os gamers contra a cultura de se comprar videogames antes do lançamento, eu decidi pré-comprar Fallout 4, e deixem-me explicar o porquê.

Ao longo dos últimos anos, os gamers têm falado muito contra jogos em pré-venda, e por bons motivos. Depois de vários lançamentos malfeitos ano passado, como Halo: The Master Chief Collection e Assassin's Creed Unity, os gamers estão compreensivelmente preocupados com produtores lançando produtos de baixa qualidade, já tendo as pré-vendas gerado uma grande quantidade de lucro.

Para grande parte da indústria dos games, as pré-vendas saíram do controle, e eu concordo que os jogadores devam evitar pré-comprar a maioria dos jogos. A menos que falemos com nossas carteiras, os produtores não vão mudar seu jeito de agir. Entretanto, eu tenho que admitir que mesmo com as minhas convicções contra as pré-vendas, eu comprei Fallout 4. Com as melhores intenções, eu juro.

A razão pela qual eu escolhi pré-comprar Fallout 4 é que eu quero que os produtores saibam que, na minha opinião, a Bethesda está fazendo a coisa certa. Claro, existe a chance de Fallout 4 estar quebrado no lançamento, cheio de bugs e outros problemas. Se esse for o caso, com certeza minha opinião vai mudar, mas até agora, eu estou confortável com a minha escolha.

Do meu ponto de vista, a Bethesda tomou nota das más decisões tomadas por outras empresas, e está se esforçando para dar aos fãs de Fallout uma experiência de pré-compra relevante.


A parte mais importante de uma experiência de pré-compra positiva é ter um jogo completo que valha a pena se comprar. Pode parecer ridiculamente óbvio, mas no ambiente de hoje em dia, parece que muitos produtores esqueceram desse critério. Acho eu que a Bethesda já resolveu esse problema com Fallout 4, que supostamente já tem mais de 400 horas de conteúdo desde o lançamento.

O segundo aspecto mais importante de uma experiência de pré-compra são os benefícios dados aos gamers que deram seu dinheiro antecipadamente. E, de novo, a Bethesda acertou nisso. Os benefícios da pré-venda incluem um Pip-Boy funcional para quem comprou a Pip-Boy Edition, meias temáticas da Best Buy e uma camiseta da Grande Guerra da Bethesda Store. Enquanto isso, quem comprar Fallout 4 na Xbox Store no Xbox One ganha uma cópia digital gratuita de Fallout 3 para o Xbox 360.

Deu para perceber algo de estranho nessa lista? Eu estou vendo uma empresa dando coisas a mais para quem comprar o jogo antecipadamente. Outros produtores parecem estar seguindo por outro caminho, o de arrancar conteúdo do jogo original para pendurar na frente dos jogadores feito uma cenoura. Felizmente, a Bethesda decidiu evitar esse caminho e está fazendo a pré-compra valer a pena para os consumidores.

Nesse último tópico, dos produtores retirarem conteúdo e usarem como isca de pré-venda, eu acho que esse é um destino muito pior do que simplesmente entregar jogos incompletos. A verdade é que as pré-vendas são lucrativas para os produtores, então eles vão continuar estimulando os gamers a pré-comprarem seus jogos. Para isso, eles vão continuar oferecendo mais brindes e de melhor qualidade para atrair os jogadores a abrirem as carteiras semanas ou meses antes do lançamento. O problema é que, ao invés de criar um monte de conteúdo extra para adicionar, eles vão continuar retirando partes do jogo completo para fazer daquilo o incentivo. E para piorar, se os gamers conseguirem fazer uns aos outros pararem de pré-comprar, os produtores simplesmente vão aumentar a quantidade de conteúdo removido e convertido em bônus de pré-venda, o que vai fazer muitos gamers acharem que estão ganhando mais pela pré-compra, e lá vão eles gastar dinheiro antes do lançamento de novo. O único jeito de parar com essa estratégia é aderir de corpo e alma à mentalidade de não pré-comprar.


Por que, então, eu defenderia pré-comprar Fallout 4, se a prática como um todo é tão ruim? Bom, porque a Bethesda não está seguindo esse caminho ruim, e optou por oferecer uma experiência de valor. Para mim, pré-compras devem ser vistas caso a caso. Se eu achar que vale a pena, eu compro. Se não, eu espero o lançamento. Para a maioria dos games, a resposta é esperar. No caso de Fallout 4, a oferta de pré-venda me parece satisfatória, e eu fico feliz em recomendá-la a qualquer um que esteja interessado no jogo.

Os produtores vão continuar a estimular a pré-compra e os gamers vão continuar pré-comprando jogos pelos quais eles se interessam. Então, ao invés de simplesmente clamar por um fim total das pré-vendas, eu decidi apoiar as práticas que eu considerar positivas e evitar as que eu considerar inúteis ou muito favoráveis ao produtor. Então, sim, eu comprei Fallout 4 na pré-venda, e mesmo assim vou dormir como um bebê hoje à noite.

Fonte: Gamerant
Imagens: Gamerant, Dualshockers

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Mary Poppins Já Dizia - Quarta Científica #33



Poder direcionar os medicamentos de uma quimioterapia para atacar células cancerosas - e somente as cancerosas - tem sido um objetivo dos pesquisadores médicos há muito tempo. Será, então, que a recente descoberta  de uma proteína da malária que parece atacar um tumor e não as células saudáveis um avanço significativo na corrida armamentista contra o câncer.

A ideia de atacar células cancerosas com proteínas carregando uma dose de medicamentos tóxicos com certeza não é de hoje. Na verdade, vários desses "complexos farmaco-proteicos" já foram aprovados pela Administração de Alimentos e Drogas (FDA) dos Estados Unidos desde 2011. Talvez a diferença mais importante entre essa última descoberta e os complexos já disponíveis seja o seu alvo: uma molécula de açúcar complexa encontrada principalmente em células cancerosas e na placenta de uma mulher grávida, e que é quase inexistente em células normais.


O Útil Parasita da Malária


A origem da proteína que se liga a esses açúcares, o parasita da malária, no caso, talvez gere repercussão, mas a sua origem é quase que inteiramente irrelevante. O que vai definir seu futuro como um mecanismo de administração de medicamentos é a habilidade da proteína de distinguir entre células cancerosas e saudáveis.

O objetivo supremo da pesquisa farmacológica contra o câncer sempre foi a capacidade de discernir tecido saudável de tumores. Essa capacidade em um medicamento minimizaria os tóxicos efeitos colaterais associados à quimioterapia tradicional, e permitiria o uso de dosagens mais altas para destruir o tumor mais rapidamente.

As proteínas podem ser usadas para mirar em um alvo na superfície das células cancerosas e jogar uma bomba de medicamento dentro delas. Isso requer um alvo na superfície das células dos tumores que não esteja presente em tecido normal. Os cientistas vêm procurando por esses alvos já há muitos anos, e vários tratamentos supostamente precisos foram desenvolvidos, com vários níveis de sucesso.

A noção de que um desses alvos possa ser encontrado em placentas, como ocorre com essa última descoberta, pode parecer ser meio bizarra a princípio. No entanto, os pesquisadores já há muitos anos acreditam que os segredos relacionados ao início e a progressão do câncer podem estar na capacidade do feto de se desenvolver a partir de um aglomerado de células pré-embrionárias e nas mudanças que ocorrem na placenta durante o desenvolvimento do bebê no útero.

A compreensão de alguns desses processos naturais de desenvolvimento pode levar a uma descoberta revolucionária na pesquisa do câncer, como a que foi relatada por esses pesquisadores. Neste caso, descobriu-se que a proteína encontrada na superfície do parasita da malária é capaz de se ligar a alvos na placenta. Isso permite que o parasita se associe com a placenta, o que pode gerar uma complicação comum da infecção por malária na gravidez. Mas a descoberta seguinte, a de que ela também se liga a alvos de açúcar específicos na superfície das células cancerosas, foi aproveitada pelos cientistas.

Açúcar Carrega Informações Importantes


Apesar de serem amplamente ignorados pela comunidade científica, ao longo de muitos anos, os açúcares complexos estão ganhando notoriedade rapidamente como algumas das moléculas mais importantes na superfície das células normais e cancerosas. De várias formas, a informação carregada pelos açúcares é muito mais complexa do que a presente no seu DNA. E talvez a descoberta mais importante nessa nova pesquisa seja o próprio alvo.

Tentativas anteriores de usar açúcares complexos como alvos para tratamento de cânceres mostraram resultados promissores, mas a maioria deles foram usados na pesquisa de vacinas contra o câncer. Portanto, a identificação de proteínas que podem buscar açúcares exclusivos às superfícies de células cancerosas pode ser um grande avanço na nossa capacidade de mirar tumores com complexos farmaco-proteicos.

Será, então, que esse novo sistema de administração de fármacos "com mira de proteína" vai realmente administrar medicamentos diretamente nos tumores humanos e minimizar o risco de danos ao tecido saudável do paciente? Os resultados de um experimento com camundongos sugerem que sim. Infelizmente, experimentos com animais nem sempre se tornam tratamentos eficazes para pacientes humanos, e nós devemos ser cuidadosos ao interpretar esse tipo de descoberta. O número de estruturas de açúcar diferentes na superfície de células normais e cancerosas também é enorme, e pequenas diferenças podem ser a diferença entre o sucesso e o fracasso como um alvo específico a cânceres. Uma mudança relativamente insignificante na estrutura dos açúcares entre as cobaias não-humanas e os pacientes poderia facilmente fazer com que o complexo farmaco-proteico atingisse células normais além das cancerosas, o que causaria danos significativos aos pacientes.

Apesar dos resultados desse estudo serem empolgantes, ainda vai demorar muito para podermos determinar toda a sua influência no campo do tratamento localizado de câncer. Os cientistas e os pacientes certamente vão observar com grande interesse conforme esses complexos avancem para testes clínicos.

Fonte: IFLScience

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Fan-arts Não Irão Faltar - Terça no Cinema #35


Alguns meses atrás, uma pequena controvérsia surgiu quando a página oficial de Star Wars no Facebook postou uma imagem da Capitã Phasma (Gwendoline Christie), e algum infeliz inevitavelmente apareceu, perguntando como diabos deveríamos saber que há uma mulher debaixo da armadura. Sendo justos com o cara (que deveria saber que não se inicia um comentário com "não sou sexista, mas..."), a grande parte da mídia martela a noção de que, para algo ser chamado de feminino, ele tem que ser sexual. Pode haver armadura, desde que ela acentue os peitos, as pernas e os glúteos.

E, digno de eterna exaltação, o administrador da página respondeu "É uma armadura. Com uma mulher dentro. Não precisa ser feminina."

Christie espera, com Phasma, mudar o pensamento dos espectadores sobre mulheres fortes, e em uma entevista recente com a Entertainment Weekly, ela falou um pouco sobre sua misteriosa personagem. Sem mencionar as farpas virtuais de alguns meses antes, Christie comentou como o figurino desafia toda a noção de como personagens mulheres devem se vestir.

"Sabemos muito pouco dela nesse momento, mas, na minha opinião, o que atrai as pessoas é que ela é uma personagem feminina muito progressiva," disse a atriz. "Nós vemos a Capitã Phasma, vemos a roupa dos pés à cabeça, e sabemos que é uma mulher. Mas, na nossa mídia de hoje, estamos acostumados a conectar personagens femininas com sua aparência e caracterização."

Apesar de eu discordar que "dá para saber" que um personagem é mulher pela roupa (uma parte da grande surpresa ao final de Metroid foi descobrir que Samus era uma mulher, de novo, desafiando os designs tradicionais), a atriz de Game of Thrones levanta uma bandeira importante ao dizer que, com Phasma, "estamos nos conectando de verdade com uma personagem mulher enquanto um ser humano."

Com sorte, ela não vai ter dito isso da boca para fora, e embora Phasma, em particular, mereça a alcunha de "misteriosa", o elenco inteiro ainda é um grande mistério. Nós sabemos o mesmo tanto sobre a Capitã Phasma quando sobre Poe Dameron (Oscar Isaac) ou o General Hux (Domhnall Gleeson). Será que a personagem vai ser como Boba Fett, ou será que veremos o rosto dela? Quais são suas motivações? Ou será que ela só está ali para deixar tudo mais maneiro? Seria um triunfo para a igualdade de gênero, mas um fracasso para a boa criação de personagens. Tomara que acabemos torcendo por Phasma não só por ela ser uma personagem mulher progressiva, mas também por ela ser memorável por esforço próprio.

Fonte: Collider