quarta-feira, 1 de abril de 2015

Manipulação Genética: Lindo Se Der Certo, F*deu Geral Se Der Errado - Quarta Científica #8




A habilidade de mudar, com precisão, quase qualquer parte de qualquer genoma, mesmo o de espécies complexas como os humanos, pode logo se tornar realidade através da edição de genoma. Mas, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades - e são poucos os temas que geram tantas discussões acaloradas sobre certos e errados morais.

Muito embora técnicas de engenharia genética tenham existido já há algum tempo, edição de genoma pode produzir os mesmos resultados com menos chance de erro, custo menor e de maneira mais simples do que antes - apesar da tecnologia ainda estar longe da perfeição.

A edição de genoma oferece um nível maior de controle e precisão na mudança de sequências específicas de DNA. Ela pode ser usado para ciência básica, para melhorar a saúde humana ou mesmo a qualidade das lavouras. Existem várias técnicas, mas a mais comum provavelmente são as repetições curtas palindrômicas aglomeradas regularmente inter-espaçadas, ou CRISPR na sigla em inglês.

As CRISPR fizeram com que acadêmicos preocupados dos Estados Unidos pedissem uma moratória para a edição de genoma. Já que a técnica mais fácil de usar e, portanto, pode ser implementada de maneira ampla e rápida, existe o medo que ela comece a ser usada rápido demais - prejudicando nossa compreenção da segurança do método e impedindo oportunidades de como uma ferramenta tão poderosa deve ser controlada.

A Volta À Ética da Genética


Questões éticas a respeito de modificações genéticas não são novidade, especialmente quando diz respeito aos humanos. Apesar da edição de genoma aparentemente não gerar questões totalmente novas, há mais na edição do que simplesmente modificação genética.

Para começar, não existe um consenso sobre se a edição genômica é só um passo à frente ou se é uma tecnologia iconoclasta capaz de alterar o estado atual das coisas. Se esse for o caso - e é bem possível que seja - nós teremos que pensar com cuidado a respeito das suas implicações éticas, inclusive se o regulamento atual ainda é apropriado.

Em segundo lugar, existem questões sérias sobre o escopo e escala das modificações genéticas. Conforme mais pesquisadores usarem as CRISPR para fazer mais mudanças, a perspectiva tende a mudar. Nossa opinião sobre uma tecnologia que é raramente usada, só em casos específicos, vai ser diferente da opinião sobre uma que é amplamente usada para vários fins.

Se chegarmos nesse ponto, teremos que rever as conclusões dos primeiros anos do debate sobre modificações genéticas. Atualmente, é permitido, sob muita supervisão, modificar plantas, alguns tipos de animais e células não-hereditárias em humanos. Mas não se permite modificações em células humanas herdáveis, exceto pela decisão recente do Reino Unido, que permite reposição mitocondrial.

Isso significa medir os benefícios, riscos e danos em potencial, a gama de aplicações possíveis para a edição de genoma é tão variada que nem esse tipo de análise é simples de fazer.

Usando Para o Bem e Para o Mal


Técnicas de edição de genoma tem sido usadas até então para mudar os genes de células individuais e em organismos inteiros não-humanos. Os benefícios até agora incluem uma forma mais específica de terapia genética em portadores animais de algumas doenças, como Distrofia Muscular de Duchenne. Também espera-se que ela leve a um maior entendimento da estrutura, função e regulação de genes. Modificações genéticas feitas por edição de genoma já criaram plantas resistentes a herbicidas e infecções.

Mas a polêmica mesmo gira em torno de como a edição de genoma pode ser usada para alterar os seres humanos. Apesar de ser um tema popular de ficção científica, na vida real a nossa capacidade de realizar as engenharias genéticas vistas em obras como Gattaca e Admirável Mundo Novo não está nem perto de sair do papel.

A edição de genomas tem o potencial de mudar isso, nos apresentando a real possibilidade de mudar qualquer aspecto do genoma humano do jeito que quisermos. Isso pode significar a eliminação de doenças genéticas ou o desenvolvimento de traços considerados vantajosos, como resistência a doenças. Mas essa habilidade também pode abrir as portas para a eugenia, onde aqueles com acesso à tecnologia moldariam as gerações seguintes com os traços que eles considerem desejáveis: cor dos olhos, da pele, do cabelo, altura etc.

Edições Permanentes


A preocupação que gerou a moratória dos acadêmicos norte-americanos é com o potencial de alterar o genoma transmissível humano, o que torna possível nossos filhos herdarem as alterações. Terapias genéticas que produzem mudanças não-herdáveis em um genoma são éticamente aceitas, em parte porque não há risco para a próxima geração se as coisas derem errado. No entanto, até hoje só uma doença, a imunodeficiência combinada grave - foi curada desse modo.

Alterações hereditárias acarretam discussões éticas muito maiores. Um erro pode acabar prejudicando pessoas no futuro, porque ele tende a se espalhar para todas as células. Mas, claro, do outro lado da moeda, se bem executadas, as alterações transmissíveis tambem poderiam gerar soluções permanentes para doenças genéticas. No entanto, ainda não há pesquisas considerando isso em humanos.

De qualquer jeito, mesmo se o processo de mudar uma característica herdável seja seguro, os problemas éticos de escopo e escala trazidos pela edição de genoma permanecerão. Se uma técnica puder ser usada de maneira ampla e eficiente e sem uma supervisão cuidadosa, ela pode rápidamente se tornar um parâmetro ou uma expectativa. Aqueles sem acesso a essas mudanças favoráveis, sejam eles humanos suscetíveis a doenças ou sem traços melhorados, ou mesmo fazendeiros sem animais e vegetais geneticamente modificados, podem acabar em uma situação de grave e injusta desvantagem.

Fonte: IFLScience

terça-feira, 31 de março de 2015

Entrei na Feira da Fruta... - Terça no Cinema #8




Altas novidades vindas da Mad Monster Party em Charlotte, Carolina do Norte. Os astros originais da famosa série de 1966 do Batman vão voltar aos papéis e protagonizar um novo filme animado. Apesar de não haver uma data exata, o filme vai ser lançado diretamente em Blu-ray, DVD e VOD em 2016, junto com a estréia de Batman v Superman: Alvorecer da Justiça. A ideia do filme é apresentar uma versão mais exagerada e divertida para contrastar com o tom sério do novo filme da DC.

Burt Ward, que fez o papel de Robin na série original, deu as boas novas em uma entrevista que fazia junto com Adam West, seu parceiro de combate ao crime. Ambos reprisarão seus papéis nesse novo filme animado. Ward disse que o filme terá 90 minutos de duração e que existe a possibilidade de uma nova franquia animada do Homem-Morcego, já que um segundo filme estaria sendo discutido. Mas, claro, esse segundo lançamento dependerá do sucesos do primeiro. Apesar de faltar a confirmação da Warner Bros., esse filme provavelmente vai ser lançado como parte da coleção DC Universe Animated Original Movies [Filmes Animados Originais do Universo DC], mas provavelmente não terá vínculos com outras histórias, permanecendo uma entidade separada.

A série Batman de 1966 tem se tornado mais popular recentemente depois do seu lançamento em Blu-ray e DVD. Também foram lançados novos brinquedos e produtos com a temática da série, que vêm vendendo muito bem. Sendo assim, faz sentido que a Warner esteja querendo voltar a usar a franquia com os atores originais. Batman 1966: A Animação será lançado para comemorar o aniversário de 50 anos da série original, mas nenhum outro detalhe foi revelado ainda.

Fonte: MovieWeb

segunda-feira, 30 de março de 2015

Do Bonde do Chinês Sai Água - Tecno-Segunda #8




Sendo a maior poluidora do mundo, a China pode ter feito por merecer a reputação de lobo mau do efeito estufa. Sendo assim, representantes do governo fizeram muitos queixos irem ao chão ao declararem estar cientes dos efeitos negativos que as emissões de gases estufa têm no aquecimento global, que representa uma ameaça aos projetos de infraestrutura, às produções agrícolas e ao meio-ambiente do país.

Embora estejam relutando em fixar uma meta para as reduções, a China está investindo alto em energia limpa e chegou a ser líder mundial na produção de energia renovável em 2013. Eles geram mais energia eólica que qualquer outro país do mundo e seus investimentos amontam a quase 30% dos investimentos globais em energia limpa. E agora, prosseguindo com sua marcha por tecnologias renováveis, a China acabou de anunciar a produção do primeiro bonde movido a hidrogênio do mundo.

O veículo foi desenvolvido pela Sifang, empresa subsidiária da China South Rail Corporation, e saiu da linha de montagem semana retrasada em Qiangdao, na Província de Shandong. Células de hidrogênio já existem há algum tempo e estão sendo usadas e testadas em vários veículos, ninguém tinha conseguido aplicá-la a bondes ainda.

"A Sifang precisou de dois anos e da ajuda de institutos de pesquisa para resolver problemas tecnológicos chave," disse o engenheiro-chefe Liang Jianying à emissora de notícias Xinhua. Liang, no entanto, não fez nenhuma menção a quando o bonde começaria a funcionar.

Como o site de notícias RT mencionou, bondes movidos a hidrogênio são um meio de transporte muito interessante por vários motivos. O Hidrogênio é extremamente abundante e pode ser extraído de inúmeras fontes, tanto renováveis quanto não-renováveis, Além disso, veículos com células de hidrogênio não emitem nenhum poluente, somente água. O novo veículo também vai ajudar a reduzir os custos de operação, já que um tanque tem rendimento de 100 quilômetros e pode ser enchido em três minutos.

"O comprimento médio das linhas de bonde na China são de 15 quilômetros, ou seja, cada tanque consegue fazer três idas e voltas sem reabastecer," Liang disse.

Fonte: IFLScience

sexta-feira, 27 de março de 2015

Fim de Semana Sem Um Padrão Específico - Receitas de Sexta #7


Enroladinhos de Picles e Cream Cheese


Presunto fatiado
Cream Cheese
Picles cortados em palitos

- Coloque uma fatia de presunto sobre uma superfície, espalhe o cream cheese e coloque um palito de picles na borda da fatia.
- Enrole o presunto em volta do picles e prenda com palitos de dente.
- Coloque na bandeja para servir e corte em pedaços individuais.



Bife Salisbury com Champignon


500g de carne moída
1/3 de xícara de farinha de rosca
1/4 de xícara de cebola picada
1 ovo batido
1 colher de chá de sal
1/4 de colher de chá de pimenta do reino moída
1 tablete de caldo de carne
1 cebola grande, fatiada fino
1 xícara de champignon fatiado
3 colheres de sopa de maizena
3 colheres de sopa de água

- Misture a carne moída, a farinha de rosca, a cebola picada, o ovo, o sal e a pimenta até ficar homogêneo. 
- Separe bolinhas e achate, como se fossem hambúrgueres.
- Frite a carne em uma frigideira funda por aprox. 10 minutos de cada lado, até corarem.
 Adicione o caldo de carne dissolvido em duas xícaras de água, a cebola e o champignon e deixe ferver.
- Abaixe o fogo, tampe e deixe cozinhar até a carne perder a cor rosada do centro. Coloque retire a carne e reserve, mantendo-a aquecida.
- Deixe o caldo ferver novamente e misture a maizena diluída em água. Reduza até ficar grosso e sirva sobre a carne.

Bolo-Pudim de Limão


4 gemas
4 claras
1/3 de xícara de suco de limão
1 colher de chá de raspas de limão
1 colher de chá de manteiga
1 1/2 xícara de açúcar
1/2 xícara de farinha peneirada
1/2 colher de chá de sal
1 1/2 xícaras de leite

- Bata as gemas, o suco, as raspas e a manteiga até ficar homogêneo.
- Adicione o açúcar, a farinha e o sal. Adicione o leite aos poucos, batendo bem cada vez que o fizer.
- Bata as claras até o ponto de neve e misture à massa usando uma batedeira em baixa velocidade.
- Despeje a massa em uma assadeira e leve ao forno em banho-maria por 45 minutos a 175ºC.

quinta-feira, 26 de março de 2015

O Silêncio Vale Ouro... Ou Não - Quinta Jogando #7




Enquanto alguns heróis têm sempre um comentário maroto na ponta da língua, outros preferem deixar o diálogo para os amigos. O protagonista silencioso esteve presente no mundo dos jogos desde o Nintendinho e o primeiro Super Mario Bros, quando o diálogo era texto na tela. Gravar vozes antigamente era difícil, e as histórias eram simples - pule em alguns inimigos e chegue no castelo a tempo de descobrir que a princesa nem estava lá para começar. Quem sabe da próxima.

Muita coisa mudou desde a primeira vez que Bowser nos passou a perna. Hoje em dia, as histórias estão cada vez mais complexas e, apesar da maioria dos protagonistas já conseguirem se expressar, o herói sem falas permanece, nobre e silencioso em sua missão. Alguns podem achar que o conceito está ficando velho - se as limitações tecnológicas já foram superadas, por que ainda vemos jogos onde o diálogo do protagonista se resume a gemer de dor? Será hora de desligar o mudo e aumentar o volume dos resmungos, deixando os personagens ter um pouco de personalidade e vocabulário?

Prós do Herói Mudo


Pode-se argumentar que protagonistas mudos são o resultado de preguiça ou falta de criatividade por parte dos roteiristas mas é claro que não é sempre assim. O herói "forte e silencioso" é uma preferência artística popular entre alguns desenvolvedores, e baixos orçamentos podem acabar tirando de vez qualquer dublagem, ainda mais no mundo dos indie games.

Mas há outras justificativas para heróis mudos além de pura e simples limitação. Uma vantagem deles é ser imune às reclamações contra dubladores que estragam opções de diálogo com entonações desagradáveis ou má construção de frase. E isso é válido, já que, especialmente nos RPGs da Bioware, uma opção de fala moderada ("Eu discordo") pode virar um insulto ("Não é nada disso, sua anta com sífilis!") por causa do espaço limitado.na roda de diálogos.

Alguns jogadores e desenvolvedores comparam o protagonista silencioso a uma folha em branco, uma tábula rasa na qual os jogadores podem projetar suas histórias e experiências. Essa é uma resposta comum a críticas feitas ao herói de Half-Life 2, Gordon Freeman. Apesar de estar presente em inúmeras conversas entre os personagens, Freeman não abre a boca no jogo inteiro. Defensores do estilo argumentam que deixá-lo sem diálogos permite que os jogadores respondam de do jeito que acharem melhor, seja qual for, e os ajuda a se colocar no lugar de Freeman.

Contras do Herói Mudo


O argumento da tábula rasa tem seu mérito, mas inevitavelmente faz parecer que alguém fugiu da raia. Half-Life 2 é um jogo fantástico e um dos pilares do gênero FPS. As cutscenes interativas que não retiram o controle do jogador são uma ótima inovação, mas um protagonista que não reage a alienígenas e cachorros robóticos gigantes parece mais um zumbi do que uma folha em branco. Freeman tem uma história, um nome e um objetivo a cumprir, mas ele não é lá um personagem muito bom. Os jogadores não aprendem muito sobre ele, fora onde ele trabalha e como ele bate bem com um pé-de-cabra. Se os criadores tivessem lhe concedido o dom da fala, o personagem de Freeman não seria mais profundo e desenvolvido?

Escolhas de palavras e tons de voz destoantes irritam, mas isso foi algo que passou batido no desenvolvimento; não é uma razão para defender o amordaçamento dos protagonistas. Quando o seu Shepard Paradigma alfineta alguém porque o dublador não falou do jeito que você imaginou, é um saco, mas é melhor que silêncio total, não é?

Silêncio Digno



Dragon Age: Origins da BioWare e a série Halo da Bungie são dois jogos que não dão muito diálogo para seus protagonistas - Master Chief e o/a Herói/Heroína de Ferelden - mas nenhum dos dois parece ser uma folha branca sem conteúdo. Isso sugere que existe um meio termo no debate protagonista mudo vs. protagonista falante.

Claro que nem todos os heróis silenciosos são ruins. Chell, da série Portal, é uma protagonista silenciosa bem-feita. Personagens como GLaDOS, Wheatley e mesmo as torretas mais do que compensam seu silêncio, gerando um contraste e uma profundidade ao seu caráter. Dar a Chell uma língua tão afiada quanto a dos outros potencialmente estragaria o ritmo do jogo. Chell nunca responde aos intermináveis insultos de GLaDOS ou se deixa afetar por todo aquele veneno. Ela demonstra sua determinação de maneira silenciosa, de um jeito que parece mais uma escolha do que uma limitação. Claro, isso é colocado em dúvida no segundo jogo, quando Wheatley supõe que o silêncio da heroína se deve a dano cerebral (o que pode nem ser verdade - afinal todos sabemos o quanto dá para confiar no Wheatley). Talvez pelo fato de Chell nunca estar completamente sozinha, graças aos constantes cutucões de seus supervisores robóticos, o silêncio dela parece ser intencional, não omissivo.

Linguarudos versus Línguas-Presas


No geral, protagonistas mudos de sucesso são mais a exceção do que a regra. Independente das razões para a falta de voz, quando os desenvolvedores deixam por conta dos jogadores a tarefa de inserir uma personalidade em protagonistas silenciosos e em branco, parece trapaça. E também não ajuda os jogadores a se identificar com os personagens.

O protagonista não precisa ser um tagarela que tira onda, dá opinião e se emociona com cada palavra, mas um personagem que não abre a boca acaba sendo tão sem-graça quanto um que fale feito um robô. E, no frigir dos ovos, é muito mais divertido participar da jornada de um personagem interessante que tenha uma voz, um coração e um ponto de vista, ao invés de um avatar passivo saltitando pelo cenário vazio.

Fonte: GameRant

quarta-feira, 25 de março de 2015

Só Não Coloquem Eles Para Jogar Dark Souls - Quarta Científica #7


Daqui a algumas semanas, eu estarei a caminho do hospital para fazer uma artroplastia de joelho. Vai ser a cirurgia mais pesada que eu já fiz e eu estou me borrando de medo. Me disseram que é normal sentir dores extremas depois e que eu não vou poder ficar na cama de repouso. Para garantir uma boa recuperação, eu vou ter que levantar e exercitar a nova junta várias vezes por dia. Vai doer, ah vai.

Mas talvez não demore muito para que pacientes como eu fujam de seus tormentos simplesmente jogando jogos de realidade virtual. Esse avanço surpreendente já está sendo testado, mas o conceito não é nenhuma novidade.

Como disse o neurocientista David Linden no site NPR, o cérebro tem mais controle sobre a dor do que imaginamos. Ele é capaz de dizer "Ei, que interessante, aumenta o volume desse relatório de dor chegando aí" ou "abaixa o volume aí, para de prestar atenção". No livro de Linden, Touch: The Science of Hand, Heart and Mind [Toque: A Ciência da Mão, do Coração e da Mente, sem tradução para o português], ele fala de como a nossa percepção da dor depende do cérebro e como ele processa a informação que vem do sistema nervoso.


Tenente Sam Brown




Pesquisadores agora estão tentando manipular esse processo através de jogos. Nos Estados Unidos, um grupo de pacientes que sofreram queimaduras severas foram convidados a jogar SnowWorld, um jogo de realidade virtual criado por dois psicólogos cognitivos, Hunter Hoffman e Dave Patterson, para fazer o cérebro ignorar sinais de dor em favor de experiências mais agradáveis. A motivação deles, de acordo com Hoffman, foi o fato de apesar dos opioides (morfina e derivados) poderem controlar dores de queimadura quando o paciente está em repouso, eles não ajudam em quase nada na agonia diária de trocar curativos, limpar feridas e remover grampos.

O melhor jogador de SnowWorld do mundo é o tenente Sam Brown, que, durante sua primeira missão no Afeganistão em 2008, sofreu queimaduras de terceiro grau em 30% de seu corpo. Um explosivo improvisado que tinha sido enterrado na estrada atingiu o veículo em que ele estava e o fez explodir em uma bola de fogo, mergulhando Brown em chamas. Seus ferimentos foram tão graves que ele teve que ser mantido em um coma artificial por semanas. De volta aos EUA, Brown teve que passar por mais de vinte cirurgias dolorosas, mas nenhuma pior que o ritual diário de tratamento de suas feridas. Quando as enfermeiras cuidavam de suas queimaduras e o ajudavam nos exercícios de fisioterapia, ele sofria dores horríveis.

Em 2012, a NBC News fez uma matéria sobre a experiência de Brown e como a dor do tratamento de queimaduras pode ser tão intensa que pode fazer os pacientes relembrarem o trauma original. No caso de Brown, os procedimentos eram tão insuportáveis que, em algumas vezes, seus oficiais comandantes tiveram que lhe dar ordens diretas de fazer o tratamento.

Para Brown, a salvação veio não na forma de novos tipos de medicamentos ou bandagens, mas na de um video game. Ele foi um dos primeiros a participar no estudo piloto de SnowWorld, que foi feito em conjunto com as Forças Armadas dos EUA, para testar se realmente podia ajudar soldados feridos.


Uma Distração Irritante


Na época, o foco de Hoffman na Universidade de Washington era usar a realidade virtual para ajudar pessoas com aracnofobia patológica. Patterson, que trabalhava no Centro de Queimaduras Harborview em Seattle, é especialista nas técnicas psicológicas que podem ajudar vítimas de queimaduras, tais como hipnose.

Já não era novidade que a nossa percepção de dor pode ser manipulada psicologicamente - por exemplo, ficar com medo da dor pode torná-la pior. Pesquisas feitas sobre as experiências dolorosas de soldados também revelaram como as emoções podem afetar a percepção da dor. E já que o seu cérebro consegue interpretar a dor de um jeito diferente dependendo do que você estiver pensando ou sentindo, por que não testar se a sensação de dor não pode ser alterada propositalmente, chamando a atenção do paciente para outro lugar? Se funcionar, o tratamento poderia ser mais uma distração irritante e os traumáticos períodos de dor poderiam ser reduzidos em muito.

Era um tiro no escuro, mas o conhecimento de Hoffman na área da realidade virtual tornou possível desenvolver um jogo que ofereceu esse tipo de distração. Para isso, os pacientes primeiro colocam um visor de RV e fones de ouvido para depois serem transportados para um cânion congelado cheio de bonecos de neve atirando bolas, grupos de pinguins e mamutes peludos, além de outras surpresas. Enquanto voam pelos neve que cai, eles podem responder ao fogo com suas próprias bolas de neve, e geralmente ficam tão absortos que nem percebem quando os cuidados terminam.


Pelo menos os bonecos são bonitinhos. Créditos da imagem: uwuplatt.edu

Em entrevista à NBC, Patterson explicou como, durante procedimentos dolorosos como a limpeza das feridas, o paciente é levado para um mundo tranquilo e gelado, completamente diferente da realidade. Diz ele que funciona "todo o tempo que a pessoa permanecer no mundo virtual."

O estudo piloto de 2011 demonstrou resultados promissores. Em alguns casos, soldados sofrendo de dores maiores disseram que o SnowWorld funcionava melhor que morfina. O próprio Brown já melhorou muito, graças em grande parte ao SnowWorld, de acordo com o próprio.

Projetos parecidos estão acontecendo em outros lugares. No Reino Unido, a equipe do Hospital Rainha Elizabeth de Birmingham e a Universidade de Birmingham têm pesquisado como a tecnologia de jogos pode aliviar a dor e o desconforto de pacientes através de terapia de distração. A terapia consiste em deixar os pacientes "passeando" por um mundo virtual com cenários inspirados na zona rural de Devon. A ideia é combinar paisagens naturais verdadeiras com aditivos de realidade virtual que ajudam os pacientes a tirar sua atenção da dor e, ao mesmo tempo, permitir a realização de atividades físicas - subir uma colina, atravessar uma ponte, sentar na praia - que criam movimentos dentro do jogo.

Assim como com o SnowWorld, os pacientes geralmente são militares feridos. A maioria sofre de queimaduras severas, mas alguns também sofrem de dores fantasmas de membros amputados.


Aplicações Futuras




No futuro, equipamentos de realidade virtual como o Oculus Rift talvez sejam capazes de criar ambientes convincentes para o alívio da dor e outros usos médicos, como, por exemplo, ajudar pessoas com membros amputados a aprender como usar suas próteses ou tratar estresse pós-traumático. Também estão em andamento pesquisas para descobrir se a realidade virtual pode ser usada para reduzir dores de pescoço crônicas.

O psicólogo social Brock Bastian tem interesse nos jeitos que a dor nos afeta, e vê a própria dor como um tipo de experiência virtual:


"[A dor] é um tipo de atalho para a percepção: ela repentinamente nos torna cientes de tudo no ambiente. Ela, de maneira brutal, nos leva a um estado de consciência sensorial do mundo, do mesmo jeito que meditação."


A dor está no topo das paradas de sucesso. Em seu novo filme, Cake - Uma Razão para Viver, Jennifer Aniston vive uma mulher atormentada por fibromialgia, uma doença que causa dores crônicas, depois de sofrer um acidente de carro. No entanto, para ela, o alívio pode vir não de fugir da realidade, mas de abraçá-la.




Para a minha sorte, a dor da artroplastia é para ser grande mas passageira. Mas mesmo assim, eu planejo tirar o pó do meu PS3 e tentar me distrair com algum jogo. Vamos ver no que dá.

Fonte: IFLScience

terça-feira, 24 de março de 2015

O Que Mais Me Surpreende É a Existência de Um Prometheus 2 - Terça no Cinema #7




A especulação está e vai continuar comendo solta a respeito da sequência ainda não nomeada de Alien até que ou a 20th Century Fox ou o próprio diretor Neill Blomkamp divulguem informações sobre o que está por vir. E, apesar de estarmos longe de ver uma data de estréia ou mesmo uma sinopse oficial, o cineasta dividiu algumas migalhinhas interessantes sobre sua releitura da franquia e, em especial, como o seu filme não vai "invadir o espaço aéreo" de Prometheus 2 de Ridley Scott.

Em entrevista com a revista Empire, o cineasta sul-africano disse o seguinte sobre o filme existindo no mesmo universo que a sequência de Scott e sobre como os dois têm colaborado na obra de Blomkamp:

"Eu mudei a única coisa que ele [Scott] achou que estava cutucando Prometheus um pouco," Blomkamp revelou. "O que me deixa tranquilo é que o Ridley está cuidando da produção. Ele gostou do que eu estou querendo fazer. Eu mandei o título que tinha criado para ele. Foi meio audacioso, mas se eu falar o nome agora, vai estragar a surpresa. Só que, se por acaso não funcionar, eu estou num mato sem cachorro..."

O mais interessante é que parece que o diretor já se decidiu sobre a primeira versão do eventual título do filme, e o fato de ele considerá-lo um spoiler nos deixa muito mais curiosos.

Mas, infelizmente, teremos que esperar pacientemente para saber mais sobre a visão de Blomkamp para Alien. O que já sabemos é que Sigourney Weaver já manifestou abertamente seu desejo de voltar a viver Ellen Ripley. Junto com ela, outros veteranos da franquia como Michael Biehn também disseram gostar da ideia de voltar e acertar as contas com o predador máximo da galáxia.

Fonte: We Got This Covered